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Conversamos com Blondshell, revelação da música dos EUA

Redação 89

Conversamos com Blondshell, revelação da música dos EUA Foto: Todd Owyoung/NBC

Blondshell (aka Sabrina Teitelbaum) venceu a premiação SXSW Grulke Prize deste ano como artista norte-americana em desenvolvimento e lançou em 7 de abril via Partisan Records seu álbum de estreia autointitulado.

A artista, que está no radar das principais publicações musicais dos Estados Unidos e Europa, conversou com a 89 FM para resumir o que esse trabalho de estúdio representa para ela, além de falar sobre suas influências e inspirações.

O produtor/apresentador Wedell Correia conversou com ela. Confira abaixo a transcrição da entrevista:

89FM: Olá, como está? Onde você está agora, em Los Angeles?

BLONDSHELL: Sim, em Los Angeles. Eu moro aqui.

Como tem sido esses dias após finalmente lançar o seu álbum de estreia?

Bons! Estou muito feliz que foi lançado. Faz muito tempo que estamos preparando, compondo. Então estou muito feliz que saiu.

Foi escrito durante o lockdown, certo?

Sim, muitas coisas.

E como foi o processo de composição e gravação? Foi em Los Angeles mesmo? No estúdio ou em casa?

Então, foi uma combinação. Eu escrevi todas as músicas na minha casa e gravei as versões demo aqui. Depois, levei para o produtor que eu trabalhei no álbum e gravamos no estúdio dele. Então foi uma combinação. Comecei compondo em 2020 e então gravamos em 2021.

E esse álbum começou após você mostrar para o seu produtor, Yves Rothman, a versão demo da música “Olympus”, certo?

Sim, está certo.

O que significa essa música para você?

Essa música é sobre um período caótico na minha vida. Isso inspirou muito do álbum porque eu não falei sobre isso antes na minha música. Então, quando eu fiz isso, me senti bem por falar sobre essas coisas. Eu queria compor mais e isso acabou inspirando o álbum.

E era uma música acústica que se tornou elétrica. Você costuma compor no violão?

Sim, essa música era acústica. E então, quando fomos produzi-la, acrescentamos outras guitarras. Mas ainda tem muitas coisas acústicas nessa música.

E antes de falarmos mais sobre o álbum, gostaria de falar sobre a sua carreira se você não se importar. Você começou tocando violão e piano quando era criança, certo?

Sim.

O que fez você querer tocar instrumentos e viver da música? O que te inspirou para isso?

Eu era muito fã de músicas de outras pessoas. Sempre amei música. E nunca fui muito interessada em outras coisas. E senti que poderia fazer isso e realmente adorava. E trabalhei duro para isso, então fiquei cada vez melhor. Me inspirei muito indo em shows e vendo as pessoas tocando músicas ao vivo. Pensava: “eu quero fazer isso”.

Você lembra de algum show específico que foi que fez você pensar que era isso que queria para vida? Alguma banda que estava assistindo?

Eu vi os Rolling Stones quando era criança. E senti que aquilo era maravilhoso. E quando fiquei mais velha, vi várias bandas como The Black Keys, The Strokes e todas essas bandas de rock que são incríveis. Achava aquilo muito legal e queria fazer isso.

Sim, legal! E então você mudou de Nova Iorque para Los Angeles em 2015 para estudar música, certo?

Isso mesmo.

O que você aprendeu nessa escola?

Eu aprendi muito sobre a parte técnica da música. Antes de ir para a escola eu não sabia nada sobre teoria ou treino de ouvido. Eu não achava que era importante. Não sentia falta desse conhecimento. Mas assim que comecei a aprender, vi que era muito útil. Isso foi uma das coisas. E outra coisa foi que eu me sentia desconfortável me apresentando e cantando para as pessoas. Quando eu estava na escola, eles faziam a gente se apresentar bastante. E fiquei mais confortável fazendo isso porque estava com outras pessoas que também tinham que fazer a mesma coisa. Não me senti constrangida. E estar em volta de outros músicos me inspirou bastante.

Boa! E você costumava se apresentar como BAUM, que é uma parte do seu sobrenome. E depois de um jantar com a sua irmã, virou Blondshell. O que significa esse nome para você?

Eu acho que o nome pelo qual você lança uma música geralmente é um indicador de como a música vai soar. E Blondshell soa como a música. Eu não sei como explicar isso. Mas também tem um sentido literal. As pessoas lembram de mim por causa do cabelo. Isso foi sempre algo que aconteceu comigo. Então eu queria isso e meu cabelo pode ser algo protetor, como uma concha.

Legal! Interessante. E eu estava lendo que você se inspira nas letras das músicas da banda The National.

Sim.

E nas letras das músicas que estão no seu álbum de estreia, você está falando sobre a sua própria vida, certo?

Sim.

Como você se sente compartilhando com o mundo a sua vida através das suas letras?

Uma mistura de sentimentos. É bom por um lado poder compartilhar e ser bem recebido. Mas também é assustador. Não é muito assustador para mim em relação as pessoas que eu não conheço ouvir isso. Eu não gostaria que as pessoas que eu conheço ouvissem. Porque eu tenho que vê-las e elas vão saber todas essas

coisas que eu não falei para elas. É como se eu gostasse de ter meus relacionamentos com as pessoas meio que tendo alguns limites e é difícil quando você escreve todas essas coisas e aí então eles ficam sabendo de tudo. E você tem que encontrar e falar com elas, e elas tem referências. Então isso é difícil. Mas também é legal poder ser honesta com tudo.

E é interessante porque os seus fãs podem se conectar com as suas músicas e as letras. Essa é a melhor parte disso, dizendo como fã de música que sou.

Sim.

E você tem alguma faixa favorita no álbum?

Sim, eu acho que gosto mais de “Sepsis” porque é o mais próximo do que eu quero ser. Eu acho que sempre tem as músicas que você quer fazer e tem as músicas que você realmente faz. São coisas diferentes. Mas nessa música, eu senti que fiz a música que queria fazer. E sempre acho que a letra dela resume o álbum inteiro. Então ela é a minha favorita.

Tem um verso sensacional: “Eu vou voltar para ele. Eu sei que minha psicóloga está chateada”.

Ela estava. Realmente estava.

É um verso muito bom. E falando sobre a música que abre o álbum, “Veronica Mars”: é uma série de TV, certo?

Isso mesmo.

O que a inspirou para escrever sobre essa série de TV ou a personagem?

Eu adorava assistir essa série quando estava crescendo. E era muito nova para assistir, mas assistia da mesma forma. E acho que queria ter uma música sobre a minha infância. E queria ter uma música sobre TV e a influência que isso teve em mim. Porque era algo marcante na minha família, estávamos sempre assistindo TV. Todo mundo na minha família ama TV. Eu queria que isso tivesse um lugar no álbum.

E como tem sido para você gravar vídeos para as suas músicas? Porque vai passar na TV também.

Sim. Tem sido legal. É interessante porque eu não sou uma pessoa “visual”, sou mais “verbal”. Eu não sei desenhar, não tiro fotos, então não sou uma pessoa visual. Então é legal porque eu tenho que me apoiar em outras pessoas e confiar nelas e nas suas visões e como elas interpretam a música. Eu gosto de vídeos por essa razão. É legal ver o que outra pessoa pode fazer baseada no que eu fiz.

E você se apresentou recentemente no programa do Jimmy Fallon. Tocou a música “Salad”. Como foi tocar no programa dele e o que significa essa música para você?

Foi muito legal. Foi muito divertido. Eu estava muito nervosa.

Posso imaginar.

Eu não estava nervosa quando tocamos, mas sim uma semana antes. A semana inteira eu fiquei: “Meu Deus, vou ter que fazer isso, vou me sentir intimidada”. Então eu me apresentei e não foi tão assustador quando eu estava lá porque eles te preparam para isso. Dizem exatamente tudo o que vai acontecer, minuto a minuto. Então foi muito legal. Nunca tinha ido para o 30 Rock, que é o prédio onde eles gravam esse programa e outros como Saturday Night Live. Eu nunca tinha entrado lá. Foi muito legal, foi um sonho se tornando realidade.

E a banda que você se apresentou no Jimmy Fallon será a banda que fará turnê com você?

Sim, eu tenho feito turnês com eles há um ano e eles vão continuar comigo.

Onde você os conheceu? São seus amigos?

Sim, agora são meus amigos. O guitarrista eu conheço há muito tempo, estudei com ele. Ele me apresentou o baterista. E tenho amigos em comum com o baixista. Então eu não conhecia nem ele nem o baterista antes.

Também quero falar com você sobre a música “Kiss City”. Onde essa fica essa “cidade do beijo”? O que a inspirou para escrever essa música?

Bem, eu senti que todo mundo que eu queria namorar só queria algo casual. E fiquei tentando entender o porquê. Eu quero ter uma relação real. Acho que esteja querendo ter esse tipo de relação. Mas naquele momento, todo mundo queria isso. Era parte da cultura ter algo apenas casual. Comecei a questionar o que estava errado comigo e o que estava errado com outras pessoas. Eu não iria lançar essa música. Eu estava apenas escrevendo essa música para ter um diário para mim. Mas, claro, acabei lançando. É isso o que ela significa para mim.

Então você tem algumas músicas que não entraram no álbum?

Sim, tem músicas que não entraram no álbum.

Você também lançou um cover da banda The Cranberries, a música “Disappointment”. É uma das suas principais influências?

Com certeza. Eu amo Cranberries, a maneira que ela canta, as letras. Acho que também a parte instrumental deles me inspira em algumas produções do meu álbum. Eu amo Cranberries. Ela é sensacional.

Acho que você tem muitas influências dos anos 90. Estava assistindo algumas entrevistas suas e você também é muito fã do Smashing Pumpkins, né?

Sim.

E como você se sentiu quando a Courtney Love começou a te seguir no Instagram?

Eu pensei: “nem fo*****”. Mandei mensagens para todos meus amigos. Eu queria manter a calma, gostaria de mentir sobre isso, mas é algo incrível. Eu pensei: “não, isso não está acontecendo”.

Foi um daqueles momentos que você pensou que está no caminho certo e fazendo tudo da maneira correta?

Sim.

É bom sentir isso. E a última música, “Dangerous”, é apenas guitarra e voz. Por que decidiu colocar essa música para encerrar o álbum?

Porque senti que muito dessa música…muito do álbum tem o sentimento dessa música para mim. E costumo acrescentar guitarra, bateria e todas essas coisas. Todas soam como rock, mas acho que no fundo todas são baladas. E queria terminar com uma que não acrescentamos muita coisa. Eu compus, gravamos o vocal e não mexemos muito. É legal terminar com algo que tenha um sentimento “cru”.

E você vai fazer turnê. Podemos esperar shows no Brasil?

Não nessa, mas espero que no futuro. Eu adoraria ir, nunca fui para o Brasil. Então, espero que possa ir.

O que você sabe sobre o Brasil?

Minha irmã ficou aí por uns seis meses. Ela voltou e nunca esteve tão feliz. Tenho um primo que mora aí há anos. Todo mundo parece amar o país. Não sei, mas a minha irmã fala que tem uma aceitação boa na cultura. Não tem tanta crítica igual as pessoas daqui. E é muito bonito. Ela estava sempre na praia, a comida…Eu gostaria de ir. Espero que um dia possa tocar aí.

Onde ela ficou? Qual cidade?

Acho que era São Paulo.

Eu estou em São Paulo, a rádio é daqui. Muito obrigado, legal te conhecer! Espero te ver no Brasil ano que vem.

Eu também. Prazer te conhecer.

Tenta vir num festival. Você vai gostar.

Sim, eu adoraria.

Ouça o álbum homônimo de Blondshell AQUI e veja abaixo a performance do single “Salad” na TV dos Estados Unidos:



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