Insetos que vivem só um dia inspiram instalação de Teresa Berlinck

Redação 89

Insetos que vivem só um dia inspiram instalação de Teresa Berlinck imagem divulgação

A brevidade da existência inspira a instalação Ephemeroptera, que a artista Teresa Berlinck mostra em apresentação-relâmpago no dia 12 de setembro, no Yacht Clube Itaupu, na zona sul de São Paulo. A obra é composta por cerca de dez mil peças de cerâmica representando insetos de vida curtíssima. Exaustos de sua aventura alada, eles repousam no piso, em torno de uma lâmpada que ilumina suavemente a penumbra. As peças foram modeladas por dezenas de pessoas em oficinas coletivas realizadas pela artista em colaboração com a ceramista Célia Cymbalista. Além da instalação, os efemerópteros compõem uma série de múltiplos, conjuntos de sete esculturas de diferentes colorações e formatos, que serão lançados no mesmo dia.

Uma reflexão sobre a natureza implacável dos ciclos vitais, o trabalho foi concebido originalmente em 2006, e teve como disparador a visão de uma libélula morta aos pés de um edifício moderno, na volta de uma visita da artista à avó, que vivia seus últimos anos. Pesquisando sobre efemeridade e fragilidade, ela chegou às efeméridas ou efemerópteros (Ephemeroptera), insetos aquáticos com um ciclo de vida adulta de menos de 24 horas: depois de um estágio na água, as ninfas emergem, desenvolvem asas, voam, formam grandes enxames, acasalam, põem ovos e morrem. Surgidos no Paleozoico, seu nome vem do grego ephemeros, ou “duração de um dia”.

A ideia ganhou corpo a partir de 2018, quando as peças começaram a ser modeladas, com a colaboração de Célia Cymbalista e de vizinhos e frequentadores do ateliê da ceramista, próximo à represa Guarapiranga. A ideia de contaminar o trabalho com a energia de muitas pessoas levou as artistas a convidar grupos de jovens, idosos e educadores ligados a escolas e trabalhos sociais com sede em várias regiões da cidade para participar do processo de modelagem das peças. As oficinas são momentos de aprendizagem sobre a técnica da cerâmica, de fazer compartilhado e de conversa sobre efemeridade e expressão poética.

“Ephemeroptera é resultado de uma experiência de cooperação em favor da ideia de representar os ciclos da vida que pertencem a todos e a cada um de nós”, diz a artista. O espaço escolhido para a exposição atende ao desejo de compartilhar a obra com a comunidade vizinha e os frequentadores do ateliê da ceramista, que colaboraram na feitura das peças.

Se o coletivo se faz presente, por outro lado a atividade ancestral de amassar e modelar o barro imprime nas peças o gesto e as digitais dos participantes: elas representam o mesmo tipo de indivíduo, mas cada peça é única. Os múltiplos da série Ephemeroptera, conjuntos de sete pequenas esculturas em cerâmica, atestam essas singularidades sutis. Inspiradas nas formas dos insetos e resultando de diferentes tipos de argila, estágios de queima e folheações, as peças falam da brevidade e da preciosidade da vida. Cada conjunto vem acondicionado em uma caixa acrílica, e as esculturas podem ser livremente manipuladas, arranjadas, rearranjadas e expostas.

Teresa Berlinck
São Paulo, SP, 1962
Vive e trabalha em São Paulo
www.teresaberlinck.com.br

Artista plástica, trabalha com sistemas de referência, desordenando narrativas e construindo associações entre memória e história. Transita entre desenho, escultura, instalação, livro, performance e outros meios. Graduada em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo (1999), tem mestrado em Produção, Teoria e Crítica em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina – FASM, São Paulo (2006). Participa de exposições e ações em arte desde 1982, em galerias, museus e instituições culturais, e tem obras em coleções públicas como Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP); Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MACCE); Sistema Integrado de Museus do Estado do Pará (SIM); Museu de Arte Contemporânea de Americana (MACA); Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS); e Coleção de Arte da Cidade de São Paulo.

Célia Cymbalista
São Paulo, SP, 1943
Vive e trabalha em São Paulo

Formada em educação pela Universidade de São Paulo, dedica-se à cerâmica desde a década de 1980. Além de seu trabalho pessoal, desenvolve atividades didáticas e de formação de educadores usando o barro e a cerâmica como meios de favorecer os processos de criação. Tem participado de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Também exerce funções de curadoria. Ensinou cerâmica na Fundação Armando Álvares Penteado, e recebeu bolsas de trabalho no European Ceramics Work Centre, na Holanda.

Serviço:
Teresa Berlinck
Ephemeróptera
Apresentação-relâmpago da instalação e lançamento de série de múltiplos
12 de setembro de 2021, 15h
Yacht Clube Itaupu
Rua Iate Clube Itaupu, 500
Riviera Paulista, São Paulo



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