“As únicas coisas reais na internet são a divisão e o ódio”, diz Noel Gallagher

Redação 89

“As únicas coisas reais na internet são a divisão e o ódio”, diz Noel Gallagher Foto: Camila Cara

Noel Gallagher acredita que os músicos não podem mais se desenvolver naturalmente construindo suas carreiras, porque as redes sociais interferem diretamente em seu desenvolvimento artístico. A divisão e o ódio gerados pela “neurose” da internet estão por trás disso, segundo disse o ex-guitarrista do Oasis numa entrevista para a Buzzmag.

Questionado se acompanha os sucessos da parada britânica, criticou a busca pelo sucesso instantâneo ao que os músicos da atualidade são forçados a encarar. “É terrível. É tudo sobre o que vende. Não se trata de promover uma forma de arte ou a cultura, trata-se de vendas de discos. Eles agora precisam dessa p*rra”, comentou Noel, referindo-se às curtidas nas redes. Como exemplo, citou um jovem músico que ele recentemente ajudou a produzir um single (Andrew Cushin), como o lançamento de estreia não recebeu uma atenção representativa das mídias sociais, o garoto foi abandonado pela gravadora.

Noel acrescentou: “O Queen estava indo para seu quatro ano [de carreira] antes de ter uma chance. Os Beatles tinham dois anos [de estrada] até chegarem lá. Você não sai da cama aos 16 anos e é ótimo. Eu não era bom até meus 27 anos. Eu escrevia músicas desde os 14 anos, então, levai mais de 10 anos… Não nos foi dada a chance para sermos rejeitados [no início de carreira] porque ninguém estava interessado em ser o primeiro lugar, mas do jeito que a coisa anda agora, está tudo ferrado”.

Além da música, Noel acredita que o mundo virtual acabou com a televisão, a política e o futebol. “As mídias sociais mataram tudo. A internet impulsiona a neurose do mundo. A única coisa real na internet é o ódio. É isso, é isso. Todo o resto é falso. As únicas coisas reais são divisão e ódio. Eu tenho vergonha de dizer aos meus filhos que minha geração inventou isso: Steve Jobs, Bill Gates e todos os outros babacas, foi isso que minha geração fez. E, infelizmente, agora não pode ser desfeito porque está muito incorporado na sociedade”.



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