Reportagem revela empresa que manipulava números de streaming de músicas

Redação 89

Reportagem revela empresa que manipulava números de streaming de músicas Imagem: Unsplash

Uma reportagem da revista americana Rolling Stone mostrou uma negociação para aumentar artificialmente os números de streams das faixas de um rapper nas plataformas digitais. A matéria apresenta a gravação de Joshua Mack, dono da empresa 3BMD, que ajudava músicos a crescer artificialmente em serviços de streaming. No áudio, ele negocia com representantes de G-Eazy, rapper de bastante destaque no cenário global e que possui mais de 20 milhões de ouvintes mensais no Spotify e 4 bilhões de views em seu canal do Youtube.

A gravação apresenta um diálogo ocorrido durante uma reunião com a agência Blueprint, que divulgava o trabalho de G-Eazy. Joshua revela: “Nós deciframos o código e entendemos como manipular o sistema”. A revista diz que o rapper afirmou que não estava ciente do negócio, também não há confirmação se o acordo foi realmente fechado.

A Rolling Stone também teve acesso a uma tabela de preços em que a 3BMD cobrava US$ 12 mil (cerca de R$ 66 mil) para aumentar 1 milhão de plays no YouTube, Spotify ou Apple Music. No diálogo gravado, o empresário ainda revela que sua empresa gerava “200 milhões de streams” por mês para grandes artistas. Nenhum outro nome foi revelado, além de G-Eazy.

O texto da reportagem diz: “É importante destacar que a indústria da música é famosa por ser hipercompetitiva, mas em 2019, as maiores empresas – de grandes gravadoras a serviços de streaming – se uniram em torno de uma causa comum: assinar um código de conduta condenando a manipulação de streaming, uma prática que infla os números de artistas em plataformas como Spotify e Apple Music”.

Segundo a revista, o aumento artificial no número de streams pode ser realizado através de “contas-robô” que ouvem repetidamente uma faixa, de forma automática, aumentando dessa forma a sua relevância. No entanto, uma das práticas que parecem ser mais comuns é o pagamento para donos de playlists com grande número de seguidores para incluir as músicas, impulsionando sua audição, algo que uma reportagem do portal G1 classificou há algum tempo como “jabá 2.0”.



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