89 conversa com Harry McVeigh, do White Lies, sobre novo álbum da banda

Redação 89

89 conversa com Harry McVeigh, do White Lies, sobre novo álbum da banda Imagem divulgação

A 89 conversou com Harry McVeigh, vocalista e guitarrista da banda inglesa White Lies.

Os caras estão promovendo o novo álbum do grupo intitulado, Five, lançado em fevereiro deste ano. Harry falou sobre a produção visual do clipe do single “Tokyo”, que ficou bem interessante: “Nós gravamos com o David Pablo, um diretor que já trabalhamos várias vezes…E acho que o resultado ficou muito bom! Mostra o lado esquisito e maravilhoso de Tijuana e as pessoas lindas que moram lá”, explica o músico.

O artista ainda revelou detalhes sobre a capa, processo de produção, gravação e parcerias do disco. Harry também elogiou o Brasil e muito mais!

Quem trocou uma ideia com  Harry McVeigh, foi o nosso produtor o Matthew Frew. Utilize o player abaixo e ouça a entrevista na íntegra:

Transcrição da entrevista:

89FM: Há alguns meses, vocês lançaram a música “Tokyo”, que é o quarto single do novo álbum Five. Junto do single, vocês também lançaram um clipe bem interessante visualmente. O que você pode falar sobre o clipe?
HARRY MCVEIGH: Nós gravamos com o David Pablo, um diretor que já trabalhamos várias vezes. Ele é mexicano, nasceu e foi criado na cidade de Tijuana. E nós gravamos um clipe com ele da música “Take It Out On Me” para o nosso último álbum (Friends) e nós amamos muito. Então, nós achamos que seria uma ótima ideia trabalhar com ele novamente. Ele sugeriu que a gente viajasse para Tijuana pra fazer os dois clipes desse álbum e pra tentar contar a história desse lugar e das pessoas que vivem lá. E acho que o resultado ficou muito bom! Mostra o lado esquisito e maravilhoso de Tijuana e as pessoas lindas que moram lá. E nós tivemos uma ótima experiência gravando. E espero que possamos voltar pra gravar mais clipes. Seria maravilhoso!

89FM: Foi difícil escolher os quatro singles pra promover o álbum?
HARRY MCVEIGH: Sempre é difícil escolher os singles. Acho que nós sempre deixamos essa decisão para as pessoas que estão vendendo o álbum, seja a gravadora ou os empresários. É muito difícil de se retirar emocionalmente das músicas. Nós amamos todas as faixas do álbum e estaríamos felizes com qualquer uma sendo single. Então deixamos essa decisão difícil para o pessoal que está vendendo o álbum e acho que eles fizeram boas escolhas. Pegaram músicas bem imediatas e que soam muito como White Lies. Nós amamos as escolhas e acho que elas tiveram uma boa recepção. Esperamos que os nossos fãs do Brasil tenham curtido tanto quanto a gente!

89FM: A capa do álbum e vários materiais promocionais que vocês revelaram usam braile. O que você pode dizer sobre esse conceito no álbum e a colaboração de vocês com o Royal National Institute of Blind People?
HARRY MCVEIGH: A arte surgiu do nosso amor por capas de álbuns clássicos de fábrica. Nós queríamos algo cru ao invés de usar uma foto ou uma pintura. Queríamos uma capa feita por design gráfico. Nós estávamos vendo várias fontes diferentes e acho que o Charles (baixista) viu um design nesse estilo de braile que usamos na capa do álbum. E achamos que combinou perfeitamente com o que estávamos buscando, com a estética que a gente queria. Acho que também curtimos como tinha um ar misterioso e interessante e meio que te faz pensar no mundo por uma perspectiva diferente. E esse foi o motivo pelo qual colaboramos com o Royal National Institute of Blind People (Instituto para deficientes visuais na Grã Bretanha). Acho que nos sentiríamos mal se a gente usasse tanto braile no álbum e pessoas com essa condição não tivessem como ter acesso à nossa música e especialmente as nossas letras. Foi o Charles novamente que sugeriu que fizéssemos essa colaboração e produzíssemos um livreto especial. E é uma coisa maravilhosa! Espero que tenham pessoas ao redor do mundo que possam aproveitar isso.

89FM: As letras do álbum realmente me fizeram pensar e imaginar as histórias que vocês estavam contando. Algumas letras me intrigaram como It takes a lot to unload to the void, always digging out of our pain and the noise da música “Jo”. Mas uma que realmente me pegou é And it´s wild dreams of the start, at the finish line Gum peeling apart, from each other´s lives da música “Finish Line”. Como você interpreta esse trecho?
HARRY MCVEIGH: Acho que umas das melhores coisas das letras do White Lies e o trabalho que o Charles faz é que elas são sempre muito pessoais e lidam com relacionamentos íntimos. E, por essa razão, você pode interpreta-las de sua maneira e certamente é o que eu faço. Charles e eu geralmente não discutimos muito as letras, pelo menos não o significado por trás delas. Nós geralmente debatemos a melhor forma de incluirmos uma letra numa música, e quando é muito difícil de cantar eu tento conversar com ele pra vermos a melhor forma dela ser cantada. Mas acho que as letras são abertas a interpretações e talvez eu sinta coisas totalmente diferentes sobre elas do que o Charles sente. And it´s wild dreams of the start, at the finish line. Gum peeling apart, from each other´s lives…Não sei, pra mim isso sente como pensar sobre um relacionamento do começo onde tudo é bem empolgante e cheio de energia. Você sente uma grande proximidade, acha que ficarão juntos para sempre. E conforme os dias passam, às vezes as coisas se desfazem e não funcionam e isso é o que eu interpreto desse trecho. Eu acho que a música toda é sobre o término de um relacionamento, pessoas se afastando uma das outras. Eu amo essa música, fico feliz que você a mencionou. É uma das minhas letras preferidas.

89FM: Como foi o processo de composição e gravação do álbum Five?
HARRY MCVEIGH: Foi ótimo! Foi uma boa experiência, acho que o Charles e eu aprendemos muito sobre compor ao longo dos anos e trabalhando nos álbuns anteriores. Nós meio que temos um belo sistema agora, algo que iremos usar e aproveitar pelo resto das nossas vidas. A maneira que abordamos o álbum foi a seguinte: o Charles ia até o meu flat na zona oeste de Londres todos os dias, nós nos sentávamos juntos e, geralmente pela manhã, a gente tomava café, ouvia música e aí passávamos algumas horas antes do almoço tentando pegar a inspiração do que ouvimos pra usar nas nossas. Ficávamos trabalhando e às vezes as coisas não rolavam tão bem. Chegávamos a ficar dias/semanas sem conseguir fazer muita coisa, mas a gente sempre persistia e tentava trabalhar a partir do que nos inspira. Acho que o processo de composição é algo difícil pra gente, mas nós gostamos muito e mal posso esperar pra fazer isso de novo. Depois que terminamos de compor, conversamos sobre qual é a melhor data pra gravar no estúdio. Nós passamos um tempo com o Ed Buller (produtor) em Los Angeles. É uma colaboração de longa data, já trabalhamos com ele em alguns álbuns. Ficamos algumas semanas com ele em Los Angeles antes de gravar e arrumamos as músicas pra que soubéssemos exatamente o que fazer na hora de gravar. Eu acho que o processo de gravação foi ótimo pra gente. Como já fizemos isso algumas vezes, já sabemos o que estamos fazendo e trabalhamos com um ótimo engenheiro de som, que chamamos de James Brown. Trabalhamos em ótimos estúdios e tudo meio que aconteceu facilmente. Nós tínhamos um plano para o que queríamos fazer e fizemos. Estou ansioso para fazer tudo isso novamente, me sinto inspirado no momento. Acho que podemos continuar escrevendo ótimas músicas e deixar o Five pra trás e quem sabe tentar fazer algo melhor ainda.

89FM: Em 2019 vocês estão celebrando dez anos do lançamento do primeiro álbum do White Lies, o To Lose my Life. O que você mudou e evoluiu como músico desde aquela época?
HARRY MCVEIGH: Muita coisa. Acho que somos muito mais considerados hoje. Quando estávamos compondo e gravando o primeiro álbum, nos sentíamos meio perdidos, éramos muito jovens. Não sei, era meio assustador pra gente e não tínhamos nenhuma estrutura pra compor ou gravar, então meio que fazíamos o que a gente achava certo naquele momento. Essa é uma das coisas que eu amo do primeiro álbum e acho que é também porque fez tanto sucesso. Por conta de ter uma vibe bem espontânea e um som excelente. Não sei… acho que hoje somos bem mais considerados, nós temos um processo para compor e tocar. E em algumas maneiras isso é ótimo, acho que nós somos músicos melhores. Nós tocamos melhor e eu estou conseguindo cantar melhor. Mas às vezes acho que perdeu um pouco dessa espontaneidade e habilidade de cometer erros que tínhamos no início. Então temos que se forçar a fazer isso novamente. Mas sim, nós mudamos muito e acho que somos bem melhores agora.

89FM: Vocês estiveram no Brasil. O que você lembra do país?
HARRY MCVEIGH: Eu lembro de muitas coisas. Nós tivemos ótimos momentos no Brasil. Eu lembro do trânsito de São Paulo ser particularmente ruim, mas eu lembro de comer comidas maravilhosas, conhecer pessoas lindas e fazer um ótimo show. E foi ótimo, estamos com muita vontade de voltar. É um lugar que talvez a gente negligenciou por muito tempo e nós sabemos que temos muitos fãs, então estamos tentando muito agendar alguns shows no Brasil o quanto antes.

89FM: O que o Rock te ensinou?
HARRY MCVEIGH: O rock me ensinou que a música pode realmente juntar as pessoas. Eu amo fazer shows e grande parte disso é porque traz várias pessoas diferentes de várias fases/épocas/lugares juntos embaixo de um mesmo teto. Você curte a música e canta junto, participa no que o White Lies faz e eu amo isso, eu acho que é ótimo. Então o rock me ensinou que a música pode juntar pessoas diferentes e pode fazê-las esquecerem o que acontece no mundo. O que é bom, porque às vezes você precisa de um escape. Então, continue ouvindo Rock N´ Roll e indo a shows. É importante pro futuro da humanidade.



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