Crítica do Filme ‘Encantado’

Valentina Camargo

Crítica do Filme ‘Encantado’ Imagem do filme 'Encantado'

Por: Denis Bortolaço

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É inegável que a investigação do amor romântico ainda permanece como um dos temas mais recorrentes às mais variadas vertentes da arte. Porém, há milênios esse sentimento arrebatador e indomável, preenche os pensamentos e os corações humanos. Os antigos gregos o representavam através da figura de Eros (popularmente, o conhecemos como Cupido, seu equivalente na mitologia romana), Deus do Amor e do Erotismo, encarnado pela imagem de um inocente garoto alado que ostentava vastos cachos dourados, além de portar um arco e flecha. Os ferimentos causados por suas flechadas despertavam surtos de paixão em suas vítimas. Mais uma amostra incontestável de como nossos ancestrais helênicos compreenderam como ninguém a essência de nossa alma.

Pôster oficial do filme

Por sua vez, os contos de fadas, inicialmente datados do século XVII apresentavam uma reinterpretação mais fantasiosa do imaginário amoroso. Basicamente, essas fábulas passadas de maneira oral através de incontáveis gerações, orbitavam ao redor da busca por um senso de ternura e afeto transcendental, quase mágico. Extirpado pela austeridade do mundo e pela maldade e egoísmo alheio. Um milagre que só poderia ganhar vida através do encontro e enlace de duas pessoas que se amavam. Esse gênero narrativo foi batizado dessa forma, pois, originalmente, as fadas atuavam como mediadoras do amor ou estavam ligadas a ele de alguma maneira.
A Disney foi a principal responsável por popularizar as histórias que se enquadravam nesse peculiar gênero. Aliando enredos fantásticos com uma inovadora técnica de animação, a companhia simbolizada pelo camundongo Mickey, inaugurou um novo segmento cinematográfico que cresceu exponencialmente ao longo de mais de oito décadas. Sendo sua primeira animação Branca de Neve e os Sete Anões, lançada em 1937, inspirada em uma obra escrita pelos Irmãos Grimm, que foi construída com base em um relato oral do folclore alemão.
Encantado, longa de animação liderado por John H. Williams, produtor de Shrek, que estreou em 29 de novembro de 2018 nos cinemas brasileiros, segue à risca a estrutura e as convenções erigidas por empresas como a Pixar e a DreamWorks. No enredo, o Príncipe Felipe Encantado, foi amaldiçoado durante seu batizado, por um feitiço que faz com que com todas as mulheres se apaixonem por ele através de uma simples troca de olhares. Vingança essa que foi arquitetada pela bruxa Nemeny Neverwish, rejeitada pelo pai do príncipe. Agora, às vésperas de sua aniversário de 21 anos, ele deve abandonar sua vida fácil dentro dos portões do Reino, com o objetivo de cumprir três tarefas impossíveis para encontrar sua alma gêmea e evitar sua própria morte e o fim de todo o amor no mundo.

Um grande acerto que fez com que o desenrolar dos acontecimentos se tornassem mais interessantes foi o fato de Encantado, ser o príncipe que calçou o sapato em Cinderela, despertou a Bela Adormecida com um beijo e salvou a Branca de Neve, da maçã enfeitiçada. Além disso, as três estão noivas de Encantado, porém, ele nunca amou ninguém. Os roteiristas fizeram um grande trabalho ao tratar a questão do excesso como um mecanismo psicológico que culmina em um forte desinteresse afetivo. Já que esse sentimento verdadeiro só irá nascer quando nosso protagonista se encontrar com Lenora, uma ladra debochada e de hábitos rudes. Finalmente, os caprichos do destino unem os dois, ela então se disfarça de homem para acompanhá-lo e protegê-lo, enquanto lida com seus próprios dilemas emocionais.
A dublagem original contou com personalidades como Demi Lovato, Wilmer Valderrama, Sia, Ashley Tisdale, G.E.M e Avril Lavigne. No Brasil, Leonardo Cidade deu voz à Encantado, enquanto Larissa Manoela, interpretou Lenora e sua contraparte masculina. Curiosamente, os dois são namorados fora das câmeras.

Larissa Manoela e Leonardo Cidade dublando o filme ‘Encantado’

Foi uma ótima surpresa a maneira como foi apresentado o contraste entre a personalidade mais feminina e frágil das princesas, com o temperamento desprendido e cético de Lenora. Outro ponto digno de destaque se refere ao tom cômico com que foram tratadas as paranoias de Cinderela, Bela Adormecida e Branca de Neve, graças às suas desagradáveis experiências passadas.
Sem dúvida, essa é uma produção competente e divertida com um grande apelo universal, que pode ser apreciada por públicos de todas as idades. Além de presentear os mais atentos com uma excelente metáfora… A de que o Príncipe Encantado é a própria representação da flecha do Cupido.

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