6 músicas para celebrar 60 anos de Cazuza

Willian Maier

6 músicas para celebrar 60 anos de Cazuza imagem divulgação

Ele fez rock´n´roll, mergulhou na bossa nova e criou canções de protesto para deixar sua marca na história da música brasileira em menos de uma década de vida artística. Cazuza, o nosso poeta do rock, completaria 60 anos neste 4 de abril de 2018, se estivesse vivo. Ele nos deixou em 7 de julho de 1990, aos 32 anos, marcando uma época. Foi o primeiro artista do país a falar publicamente sobre a aids, se posicionou contra a caretice da MPB e fez o brasileiro refletir sobre seus governantes. Cazuza gravou 126 músicas e deixou muitas outras inéditas ou em forma de rascunho. Seria impossível selecionar suas melhores canções. Mas a 89 fez uma lista de seis músicas que destacam trechos da trajetória de um dos maiores nomes do rock nacional. Confira!

Bete Balanço
A música “Bete Balanço” representou o maior sucesso comercial do Barão Vermelho. Ela foi encomendada para o filme de mesmo nome lançado em 1984 pelo diretor Lael Rodrigues, protagonizado por Debora Bloch, e traz em seu refrão a frase “quem tem um sonho não dança”. Essa determinação resume muito bem o início do sucesso de Cazuza, que obteve reconhecimento nacional com um single que antecedeu o lançamento do terceiro álbum de sua banda de rock. O Barão Vermelho já tinha cerca de quatro anos de estrada quando subiu ao palco do primeiro Rock in Rio, em janeiro de 1985, e se tornou uma das poucas atrações brasileiras a não receber vaias do público.

Um Trem Para as Estrelas
Nesta parceria feita em 1987 com Gilberto Gil para o filme “Um Trem Para as Estrelas”, de Cacá Diegues, o artista alerta sobre a passividade de um povo: “Eu vou dar o meu desprezo pra você que me ensinou/Que a tristeza é uma maneira de a gente se salvar depois”. Cazuza já havia deixado o Barão Vermelho, lançado seu álbum de estreia “Exagerado”, confirmado ser um dos grandes nomes da música nacional com o disco “Só Se For a Dois” e vivia um de seus momentos mais intensos de produção artística. As criações dessa época, inclusive, resultariam no seu terceiro trabalho, “Ideologia”, que contém a faixa “Brasil”, um verdadeiro hino contra o sistema.

Faz Parte do Meu Show
“Meio bossa nova e rock´n´roll”, talvez essa seja uma boa definição para Cazuza, que foi criado no meio artístico tendo contato com grandes nomes da MPB. A admiração pela obra do sambista Cartola e a vontade de fazer releituras de suas canções, por exemplo, foi um dos motivos que o fez deixar o Barão Vermelho. A mistura de ritmos brasileiros com a atitude do rock, que ele conheceu de perto no exterior, só poderia ocorrer dentro de um trabalho solo, o que ficou explícito em “Ideologia”, seu disco conceitual que fecha com a faixa “Faz Parte do Meu Show”, hoje um clássico da música popular brasileira.

O Tempo Não Para
A música que dá nome ao último registro ao vivo de Cazuza é uma parceria dele com Arnaldo Brandão. Lançada originalmente em 1988 pela banda Hanoi Hanoi, essa canção define a situação do poeta encarando a morte, mesmo que já tivesse citado seu drama anteriormente (“Meu prazer agora é risco de vida” – em “Ideologia”) quando começava a enfrentar os efeitos da aids. “O Tempo Não Para” se tornou símbolo da luta de Cazuza para buscar forças e mostrar seu trabalho em sua turnê derradeira, enquanto sentia o peso do preconceito em cima de todo seu sofrimento. “Mas se você achar que eu tô derrotado/Saiba que ainda estão rolando os dados”, diz trecho dessa que é uma de suas músicas mais celebradas.

Perto do Fogo
Uma das figuras da música popular brasileira que mais chamou a atenção de Cazuza foi Rita Lee. Não só pela sua postura rebelde comandando os vocais dos Mutantes, mas por ter a capacidade de musicar episódios da vida, como ele curtia fazer. Ao lado dela compôs a canção “Perto do Fogo”. A letra profetiza em uma de suas estrofes dizendo que chegaria o ano 2000 e nada mudaria (na gravação de Rita Lee ela cita o ano 2020). A versão do álbum “Burguesia” é conhecida como a última música gravada por Cazuza.

O Poeta Está Vivo
Essa música do Barão Vermelho foi lançada no álbum “Na Calada da Noite”, de 1990, após a morte de Cazuza e se tornou um grandioso sucesso, além de uma espécie de tributo ao artista. No entanto, Cazuza chegou a conhecer a canção. Ela foi feita em homenagem ao seu retorno ao Brasil depois de uma temporada se tratando em um centro médico de Boston, nos Estados Unidos. A letra escrita por Dulce Quental celebra a volta dele para junto de seus amigos: “O Poeta não morreu/Foi ao inferno e voltou/Conheceu os jardins do Éden e nos contou”. Após a morte do cantor, evidentemente, ganhou outro sentido. “O Poeta Está Vivo” é a única música nesta lista que não tem a voz de Cazuza, no entanto, traz uma mensagem muito forte contra o preconceito. Ela nos faz refletir que no fundo somos todos iguais. “Todo mundo é parecido quando sente dor”.



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