O Ato de David Bowie

Lucas Almoster

O Ato de David Bowie

Há dois anos, David Bowie faleceu após uma batalha de 18 meses contra um câncer. É quase impossível medir a influência do artista, que é considerado o último grande ícone da cultura pop. A sua carreira foi marcada pela sua capacidade de se reinventar e usufruir de diversos gêneros musicais e novos visuais criados por ele ao longo dos anos — o que lhe rendeu o apelido de “Camaleão do Rock”.

David Robert Jones nasceu em 1947 em Londres. Desde cedo, o garoto mostrava uma potência vocal acima da média, quando frequentava o coral da escola que estudava. Com o passar dos anos, o jovem foi percebendo o poder da música e passou a procurar novos discos.

Anos depois, Bowie montou diversas bandas que transitavam entre gêneros como o rock, folk, soul e jazz, mas nunca alcançando o sucesso que esperava. Com tantas frustrações e a sua ansiedade por fazer algo grandioso, sentiu que as bandas pelas quais passou não eram suficientes para criar da maneira que ele queria.

Então, Bowie começou surgindo aos poucos no mundo da música com a sua carreira solo e o seu astronauta solitário, Major Tom, com o disco Space Oddity. A principal música do disco, que tem o mesmo nome, ficou marcada por ter sido lançada dias antes da missão ‘Apollo 11’. O folk psicodélico de seu disco foi deixado de lado pelo artista, para que pudesse experimentar um novo gênero: um rock mais pesado. Nessa época, também, Bowie introduziu a primeira de suas personas, Ziggy Stardust. Com suas roupas glamourosas, maquiagem pesada e cabelo tingido de vermelho, Bowie libertou milhões de pessoas que talvez nunca se viram propriamente representadas na cultura pop. A sua forma de se expressar também ajudou uma libertação sexual que fora muito criticada pelos conservadores da época.

Conhecido pela sua capacidade de ‘seguir em frente’, Bowie abandonou subitamente a persona, afirmando estar cansado dele. Porém, levou anos para que o artista se libertasse totalmente de Ziggy, um personagem marcante que deu voz a muitos a partir do rock. Ele ainda criou mais duas personas: o Alladin Sane — que veio com o álbum onde o artista aparece pela primeira vez com o seu visual famoso da pintura de um raio no seu olho — e o Thin White Duke.

Em 2016, poucos dias antes de sua morte, foi lançado o último disco do artista: Blackstar. O disco foi bem recebido pela crítica e tido por muitos como um presente de despedida de Bowie. Inclusive, algumas teorias foram criadas em torno do disco; como, por exemplo, o clipe da música ‘Blackstar’, que começa com um astronauta morto.

Ao longo de sua carreira, as apresentações de David Bowie sempre foram consideradas lendárias. Todo o seu aparato teatral, performances, visuais extravagantes e coisas que eram relatadas em seus shows ajudaram a criar toda essa áurea por traz das apresentações do artista. No geral, as suas composições procuravam refletir acerca da dúvida sobre a nossa existência.

Conhecido também por antecipar determinados movimentos musicais, é fácil encontrar a influência de Bowie em diversas bandas ao longo da história. Com o seu disco Diamond Dogs, por exemplo, o cantor abordou uma vertente mais punk, servindo de influência para bandas como Sex Pistols e The Germs. A sua influência continuou, inspirando artistas como Brandon Flowers, Marylin Mason e Lady Gaga. Com a música ‘Ashes to Ashes’, do disco Scary Monsters, David Bowie contribuiu para a criação de um novo movimento musical: o New Romantic, que trouxe bandas como Duran Duran e Depeche Mode.

O legado deixado por Bowie transcende não só o seu trabalho na música, cinema e performances. O artista, cantor, compositor e ator disse uma vez que toda a sua vida profissional é um ato. Um ato que libertou a música, o rock, os jovens, a sexualidade; a arte. No fim das contas, o seu ato foi provar que tudo é possível.



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