Backstage 89

Willian Maier

Backstage 89 imagem divulgação

Tudo aquilo (e mais um pouco) que você gostaria de saber sobre o mundo do Rock N Roll!

Os segredos de Bob Dylan

Produtor vai dar “toque de Midas em “letras perdidas” do poeta

Por Claudio Dirani

Este produtor, não dá para negar: é um craque de verdade. T-Bone Burnett – que já levou para casa nada menos que 13 Grammy – está no time de nomes como Rick Rubin e Marcus Dravs , escalados a todo momento para dar o toque de Midas em artistas dos mais variados. Só para citar alguns: Robert Plant, Elton John (Burnett), Red Hot Chili Peppers, Jake Bugg, Metallica (Rubin), Arcade Fire e Coldplay (Dravs).

A novidade no universo de T-Bone é um projeto bem mais ambicioso – e por que não, arriscado. A convite do próprio Bob Dylan, o produtor ficou encarregado de escolher bandas e cantores para musicar letras recentemente descobertas do poeta e terminar tudo no lendário estúdio da Capitol, em Hollywood.

Os tesouros datam de 1967, quando Dylan e a The Band ensaiavam e gravavam juntos na mítica residência Big Pink em Woodstock. Estas sessões deram origem ao controverso álbum “The Basement Tapes”, lançado oito anos mais tarde.

T-Bone Burnett, musician, composer of Oscar nominated song of "Oh Brother, Where Art Thou," etc

Basement Tapes II – a missão

Batizado como “The Basement Tapes… Continued”, o disco produzido por Burnett deve chegar aos fãs no ano que vem, e seguir o padrão de outro projeto que envolveu Bob Dylan. Em 2011, ele musicou uma das letras perdidas incluídas no álbum “The Lost Notebooks of Hank Williams”. Desta vez, a diferença é que suas letras serão musicadas… mas Dylan está bem vivo, obrigado! Além do álbum, o projeto inclui a filmagem de um documentário e a edição de um livro de luxo sobre as sessões.

Saiba mais sobre a fase “secreta” de Bob Dylan

Em julho de 1966, Bob Dylan sofreu um grave acidente de moto. A falta de notícias sobre seu paradeiro foi o bastante para criar mitos. Entre eles, rumores da morte do artista. A verdade é que Dylan ficou recluso no interior de Nova York por mais de um ano, cantando e compondo em segredo.

Neste período, a casa chamada como Big Pink foi seu QG. Lá no porão da Big Pink, Dylan ensaiou e gravou mais de 100 canções com os canadenses Ricky Danko, Richard Manuel, Garth Hudson e Robbie Robertson, da The Band (além do baterista americano, Levon Helm). Dessa centena, 30 eram músicas inéditas e algumas dessas letras de Dylan contam com melodias assinadas por membros da The Band.

The+Genuine+Basement+Tapes+Volume+4+folder

Controvérsias

Quando “The Basement Tapes” chegou às lojas em 1975, o álbum foi bem recebido. Porém, os experts em Dylan criticaram as escolhas feitas para o repertório. Das 24 faixas, 8 eram demos da The Band. Discos piratas que chegaram ao mercado bem antes, colocaram a edição do disco em cheque, já que algumas das melhores músicas foram excluídas, como “I’m Not There”, “I Shall Be Released” e “Quinn, The Eskimo” (The Mighty Queen).

A crítica também foi direcionada à produção de “The Basement Tapes”. Muitas faixas receberam novos overdubs e arranjos, tirando o ar de originalidade das gravações.

Apesar de tudo, o álbum continua sendo um marco da história do rock. Por causa de “The Basement Tapes”, bandas como The Fleet Foxes, Mumford & Sons, Bon Iver e Band Of Horses se inspiraram para inventar o country rock alternativo, conhecido hoje como Americana.



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