Redação 89

Sting fala com exclusividade para a 89 sobre seu novo álbum

A 89 bateu um papo com o Sting sobre o novo álbum “57th & 9th”, que tem lançamento agendado ainda para 11 de novembro.

O músico comentou sobre o  processo de produção, suas inspirações, revelou que a gravação do disco foi rápida e espontânea, porque ele queria que tivesse uma sensação de surpresa.

Sting ainda falou que os motivos dele se tornar músico (por causa dos Beatles e Elvis Presley) e  ressaltou  também sobre as influências da música brasileira em seus trabalhos.

Sobre um show no Brasil, o músico destacou o carinho e disse que gostaria de voltar,  mas antes precisa ser convidado.

Acesse o player abaixo e curta a entrevista:

Veja abaixo a transcrição completa da entrevista:

89: Quais são as inspirações para o novo álbum 57th & 9th?
Sting: Inspiração é uma coisa difícil, você nunca sabe onde procurá-la.
A primeira música chama “I Can’t Stop Thinking About You” e é sobre obsessão. Começa com um homem olhando uma página em branco, vazia e com uma caneta. Não há pistas sobre o que é, se é um caminho, um espírito, um quebra-cabeças. É sobre essa obsessão por achar uma história. Este é o começo do álbum. A maioria das músicas são pequenas histórias de três ou quatro minutos, algumas delas estão conectadas, outras não. É uma coletânea de pequenas histórias inspiradas por essa procura, de passar um tempo no estúdio todos os dias e tentando achar a tal história.

89: Quanto tempo levou para gravar o álbum?
Sting: Não muito, comecei no início deste ano. Andávamos das nossas casas todos os dias para o estúdio, com meus amigos músicos que trabalho há anos. Conseguir acertar o tempo, o tom, tocar. Ouvir as ideias faz parte do meu trabalho, que é organizar tudo isso em formato de uma música, encontrar uma história. É aí que o verdadeiro trabalho começa. A gravação do álbum foi muito rápida e de um jeito espontâneo, porque eu queria que tivesse uma sensação de surpresa. Acho que recentemente eu tenho feito trabalhos mais exotéricos, mais estranhos. No 57th & 9th eu quis ser mais direto e surpreender as pessoas, não entregar para elas o esperado, o que me faz feliz.

89: As primeiras músicas são mais rock n’ roll e até um pouco folk.
Por que essa escolha?
Sting: Minha carreira de rock n’ roll começou com o The Police e um dos motivos de eu ser músico é por causa dos Beatles e Elvis Presley. As músicas folks são balanceadas com o resto do álbum e são até jazz, eu diria.

89: Algumas músicas tem percussões que parecem muito com as da Bossa Nova e da música brasileira.
Sting: A música brasileira têm uma grande influência no meu DNA. É algo que eu amo e respeito, sempre fico feliz de ouvir isso, especialmente de um brasileiro.

89: O 57th & 9th foi uma intersecção. Você lembra de algumas intersecções que aconteceram na sua vida?
Sting: Eu penso muito nisso, nas decisões que tomamos, algumas vezes muito profundas, no qual escolher entre esquerda e direita poderia acabar em um universo completamente diferente. Talvez esses universos existam, essa teoria de multiverso e nele provavelmente eu escolhi ir no caminho da esquerda ao invés da direita. De qualquer jeito, estamos neste mundo e você faz decisões muito rápidas e espontâneas na música: os acordes devem subir o tom? Devem ser menores ou maiores? A letra deve fazer isso ou aquilo? Ser um músico é tomar decisões e elas devem terminar em uma surpresa. Quando eu escuto a música dos outros eu quero ficar surpreso e eu quero que no meu álbum as pessoas se sintam assim. Não em choque, mas com uma surpresa agradável.

89: Você mencionou que gosta de músicas que te surpreendam. Qual foi o último show que você foi que te surpreendeu?
Sting: Vou no show do Boy George no Hollywood Bowl, ele tocará com o Los Angeles Philharmonic. Vai ser fantástiso porque ele é um ótimo cantor e é uma ótima orquestra, eu os assisti um mês atrás. Eu quero ficar impressionado neste show.

89: Tem planos de vir ao Brasil?
Sting: O Brasil foi uma parte muito importante da minha vida, viajando por lá, tocando, vivendo por um tempo em Mato Grosso, com amigos brasileiros e relações musicais com eles. Eu adoraria voltar mas antes eu preciso ser convidado (risos).

89: Qual é a sensação de ter hits que quase todo mundo, de todas idades, sabe cantar?
Sting: Na canção “50.000” eu falo do sentimento que é cantar uma música e ter 50 mil pessoas cantando as letras de volta para você. Uma canção que você compôs quando era uma criança e era pobre. É fantástico, um sentimento maravilhoso de confirmação. Mas também pode te deixar muito bêbado e poderoso, então é preciso ter cuidado, você tem que balancear esse sentimento intoxicante com a realidade.

89: Você dá crédito ao seu sucesso por alguma coisa?
Sting: Acho que é uma combinação de sorte, trabalho duro, disciplina e com certeza inteligência e estratégia. Além disso, acreditar que sua curiosidade pode te levar à algum lugar interessante e útil. Eu sempre acreditei na ideia de que se você fizer um bom trabalho e com diligência, sendo ou não um sucesso comercial, não importa, dá um retorno ao seu trabalho. Eu fiz um álbum, alguns anos atrás, o 16th Century Songs. Eu não consigo explicar o porquê, mas eu vejo coisas que eu descobri numa jornada que chegaram na música de agora, portanto nada é perdido. Eu sigo minha curiosidade.

89: O quão importante é para você escrever letras significativas?
Sting: Eu não começo com o pensamento “agora eu vou escrever uma música significativa”, mas claro que minhas preocupações vem de forma inconsciente, os problemas com o planeta, a política, problemas ecológicos, sociais e filosóficos. Portanto eles chegam na música de forma automática. Por exemplo, a canção “One Fine Day” é sobre mudança de clima, mas ela é muito irônica, porque eu estou orando dizendo que o clima está bom, que o gelo não está derretendo, que as florestas tropicais não estão desaparecendo e que está tudo bem. E minha parte intelectual diz que isso não é verdade. Neste dia específico da história de “One Fine Day”, um homem persiste na ideia de que ele está caindo. Eu acho que é uma situação que a maneira é persistir com a loucura e que, um dia, vai virar sabedoria.

A entrevista foi produzida por Danilo Kawasaki, correspondente da 89 dos Estados Unidos.

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