Redação 89

Ouça entrevista exclusiva com Kirk Hammett, do Metallica

A 89 fez uma entrevista exclusiva com o Kirk Hammett, guitarrista do Metallica, atração principal da primeira noite do Lollapalooza 2017.

Os caras já estiveram no Brasil diversas vezes, Kirk falou que desde o primeiro show que fizeram por aqui o Brasil sempre foi incrível e o público é ótimo.

Sobre o novo disco “Hardwired…to Self-Destruct”, a Rádio Rock perguntou o significado, se é algo interno da banda ou uma mensagem para o mundo.

Curiosidades como, trabalhar com Lou Reed e Lady Gaga são outros temas abordados nesta entrevista que pode ser ouvida no player abaixo:

A transcrição da entrevista está aqui:

89FM: Vocês já estiveram no Brasil várias vezes. Como é tocar no país?
KIRK HAMMETT: O Brasil sempre foi incrível para nós, desde que estivemos aqui pela primeira vez 1989. Sempre temos certeza que vamos nos divertir por causa do público, que é ótimo. Exatamente agora enquanto conversamos é possível ouvir eles cantando junto com as outras bandas. Quando a gente vai para o palco, eles cantam a música, os riffs de guitarra…eu amo isso!

89FM: Sobre o novo álbum, por quê o nome Hardwired…to Self-Destruct?
KIRK HAMMETT: Hardwired…to Self-Destruct é uma analogia de títulos que pode se aplicar a qualquer coisa. E gostamos disso. Não gostamos de ser muito literais quando estamos intitulando os nossos trabalhos. Gostamos de dar nomes que ficam abertos para interpretação, significados pessoais ou algo do tipo. Mas gostamos quando as pessoas interpretam de acordo com as próprias perspectivas.

89FM: Como foi trabalhar com Lou Reed?
KIRK HAMMETT: Eu sou fã dele desde pequeno. Quando eu estava na série já ouvia “Walk On The Wild Side”, lembro de estar com os meus amigos cantando essa música. Conhecer Lou Redd e ter ele em uma situação de colaboração, foi como um sonho para mim e a gente se deu muito bem. Ele tinha uma fama de ser um velho meio rabugento, mas ele nunca foi assim comigo, ele sorria. Ele veio em casa e em certo momento eu mostrei para ele a minha coleção de pôsteres de filme de terror e ele gostou muito. Acabei descobrindo que ele também gosta tanto quanto e eu e percebi que temos uma relação única.

89FM: E como foi trabalhar com a Lady Gaga? Alguma chance de trabalharem juntos novamente?
KIRK HAMMETT: Ela é um indivíduo muito interessante de trabalhar. Ela sendo quem ela é e nós sendo a banda que somos, é nítido a diferença. Foi interessante trabalhar com ela. Nos ensaios ela sabia todas as letras das músicas, alcançava todas as notas. Ela é muito profissional. Isso nos impressionou porque já tivemos situações parecidas e pensávamos “como isso vai funcionar? ”, mas com ela foi muito legal e profissional. Mas nós não sabemos como vai ser no futuro, talvez nós faremos, talvez não.

89FM: Você já fez muito na música com o Metallica. Tem algo que você ainda não tenha feito?
KIRK HAMMETT: Eu gosto muito de outros tipos de música, adoro Bossa Nova, Jazz e quero fazer minhas versões desses estilos. Eu não tenho ideia de como isso vai soar, mas sinto que meio “groove” e agressivo. Eu às vezes sou uma pessoa brava e isso acaba saindo na minha música.

89FM: O que você acha que fez o Metallica se destacar?
KIRK HAMMETT: Quando estamos juntos criamos um som que dá para saber que é nosso. Eu poderia criar várias teorias sobre isso, mas toda vez que penso nisso, algo acontece que me faz pensar “ah, talvez não seja isso, talvez seja outra coisa”. No final das contas, eu percebo que são os elementos mais simples: nós quatro tocando fazemos algo que as pessoas reagem. A gente toca o que quer tocar, o que nos inspira, é divertido e nos entretém. E as pessoas estão convidadas a se juntar, esse é o tema da festa. Eu poderia dizer que “as pessoas gostam da gente porque nossas músicas são atemporais, é um som que se identificam”…eu poderia ficar falando isso de várias formas, talvez seja uma dessas coisas ou talvez sejam todas elas, eu não sei, mas gosto de ver que ainda temos um público mesmo depois de todo esse tempo e eu sou muito grato e abençoado. Acima de tudo, quero crescer como músico e fazer o que é mais importante para mim: ser o melhor músico que eu consigo para as pessoas que querem ouvir nossa música.

89FM: Com todo o seu sucesso e experiência, que conselho você daria para quem está em uma banda que está começando?
KIRK HAMMETT: É muito importante ser original, ter algo diferente para oferecer. Ser capaz de mostrar, criar algo interessante e se manter com a ideia. Tem muitos músicos e bandas que pairam como se fosse em um limbo, porque são todos muito parecidos e se você quer fazer sucesso, tem que se encontrar, criar um som que seja único e que esteja confortável com ele para que você permita que o som cresça dentro de você. Acho que o melhor conselho que eu posso dar é: seja original. Tudo bem ser inspirado por outros tipos de música e artes, mas é realmente importante querer e correr por algo diferente que não tenha sido feita por ninguém. Pode até parecer surreal, mas é assim que as novas coisas são descobertas, você tem que dar o primeiro passo. Quando o Kill ‘Em All surgiu, éramos os caras estranhos, ninguém queria nada com a gente. Parecia que tínhamos alguma doença, ninguém queria nada com a gente. Eventualmente as pessoas vieram a entender que o que a gente faz é diferente e que temos algo a mais a oferecer, em relação ao que já era oferecido para eles antes de nós. Minha visão é: crie algo diferente, com diferentes cores, técnicas, abordagem porque será interessante.

89FM: Como as coisas mudaram pessoalmente para você e com a banda depois de todos esses anos com o Metallica?
KIRK HAMMETT: É incrível, porque você pode olhar de diferentes formas. Posso me ver no centro de tudo e ver as coisas crescendo ao redor. Depende do tipo de perspectiva que eu escolho e dou foco, mas tenho que falar que sou extremamente grato a tudo que já tenha acontecido comigo e com a banda. Tivemos muitos altos e baixos em nossas relações, mas no final do dia, sempre somos motivados a nos unir, fazer música e é como se tivesse escrito em nosso DNA. Nós temos personalidades parecidas, sempre queremos dar o nosso melhor. Vejo o quanto a nossa música ajuda as pessoas. No final do dia eu estou lá só para ajudar as pessoas e tocar a minha guitarra, eu amo tocar a minha guitarra! Então para mim é muito difícil não amar tudo isso. Gosto de estar em frente ao público, tocar a minha guitarra bem alta e amo ver como o meu jeito de tocar transforma positivamente as pessoas. Sou muito grato por poder estar em uma situação como esta, me sinto o cara mais sortudo do mundo. Os outros três são os caras mais sortudos do mundo! Eu não tenho tudo isso como se já tivesse ganho tudo. Acordo todo dia de manhã e checo se sou a pessoa que eu gostaria de ser. Ainda estou trabalhando na pessoa que quero ser e também quero ser algo a mais. Estou feliz de estar em um momento abençoado.

89FM: Como vocês se mantém modernos e motivados?
KIRK HAMMETT: Estamos constantemente crescendo como pessoa e como músicos, nunca achamos que estamos felizes e satisfeitos onde estamos. Acho que somos criativos como artistas e não descansamos. Eu sei que sempre estou atrás de algo novo, uma nova técnica de guitarra, de som. Sei que quando ouço uma música que eu gosto, pego a minha guitarra e começo a tocar a música com a finalidade de aprender algo novo. Quero dizer que eu ainda sou musicalmente curioso e os outros caras também. Acho que é isso que faz com que a gente pareça musicalmente renovados, é o fato de sermos curiosos e sempre estar em busca de aprender algo novo e juntar esses conhecimentos de uma forma que a gente nunca fez antes.

89FM: O que você gostaria de dizer para os seus fãs brasileiros?
KIRK HAMMETT: Estamos muito felizes por estarmos na América do Sul, principalmente no Brasil. É um lugar maravilhoso e estamos contentes por estar de volta e trazer um Heavy Metal incrível.

Acesse o player abaixo e assista à entrevista completa, liberada no canal oficial do YouTube da 89:

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