ENTREVISTAS

Redação 89

Simon Le Bon, vocalista do Duran Duran fala com exclusividade para a 89

Simon Le Bon, vocalista do Duran Duran, bateu um papo com a 89 por telefone para falar sobre o show que vão fazer no Lollapalooza Brasil, turnê comemorativa dos 40 anos da banda, o álbum “Paper Gods”.

Sobre o Brasil, o músico lembrou de um show do grupo que aconteceu no Estádio do Morumbi em 1988, os lugares que conheceu e citou a música “Breath After Breath” que fizeram com a parceria de Milton Nascimento.

O vocalista ainda revelou detalhes sobre as participações dos músicos como Nile Rodgers e John Frusciante no disco “Paper Gods”, lançado em 2015.

Simon falou também sobre as perdas recentes, David Bowie, Prince e George Michael: “é muito triste que eles foram embora. Mas eles deixaram um grande legado”.

A entrevista foi conduzida por Wendell Correia e a tradução está na voz da Marina Valsechi. Acesse o player abaixo e ouça:

Leia abaixo a transcrição completa da entrevista:

89FM: O Duran Duran já esteve no Brasil. O que você lembra do país?
Simon: Lembro de momentos maravilhosos! Estivemos por aí em 1988 e nos apresentamos para o maior público que já tivemos na nossa vida. Foi no Estádio do Morumbi. Cem mil pessoas! Duzentas mil mãos no ar! Foi incrível! Tocamos no Rio de Janeiro no mesmo ano e também foi ótimo. Na década de 1990, com o nosso álbum chamado The Wedding Album, fizemos uma música com participação do Milton Nascimento chamada “Breath After Breath”. Fomos para Foz do Iguaçu e gravamos um vídeo e fizemos ótimos shows novamente! Teve um em São Paulo que foi incrível! Sempre vivemos ótimos momentos no Brasil. E agora que estamos voltando ao país para tocar no Lollapalooza vai ser maravilhoso.

89FM: Falando mais especificamente dos lugares que visitou no Brasil, algum especial que te marcou?
Simon: Eu lembro de um restaurante em São Paulo que tinha uma árvore enorme no meio dele. Acho que o nome do lugar era Damiano ou algo do tipo, não lembro exatamente. Mas era muito bom! E, claro, lembro muito bem das cataratas do Iguaçu. Foi incrível! E no Rio de Janeiro tem um lugar onde você dirige e encontra uma pedra gigante no meio da estrada próximo à praia.

89FM: Alguma outra música do Duran Duran além de “Rio” foi inspirada no Brasil?
Simon: Teve essa música com participação do Milton Nascimento chamada “Breath After Breath” que não necessariamente foi inspirada no Brasil como país, mas sim pela música brasileira.

89FM: Você costuma escutar músicas brasileiras?
Simon: Não estou familiarizado com a música brasileira atual. Conheço mais as antigas, artistas da Bossa Nova. Tem ótimos músicos brasileiros que fazem shows em Londres e eu vou, como o Gilberto Gil e o Caetano Veloso. Grandes ídolos da música brasileira clássica.

89FM: Sobre o show do Duran Duran no Lollapalooza Brasil, estão preparando algo especial?
Simon: Sim, queremos fazer um show voltado para pessoas que não necessariamente são fãs do Duran Duran. Então vamos tocar muitos hits e músicas dos anos 1980 que vão agitar a galera. Vai ser muito divertido! Não vamos ter muito tempo no palco, então vai ser algo rápido e furioso.

89FM: E como músico, qual é a importância de um festival como o Lollapalooza na sua opinião?
Simon: Eu acho que é uma forma maravilhosa de pensar! A música manda. Acho que é como viver uma vida alternativa.

89FM: Em 2018 o Duran Duran completa 40 anos. Estão planejando algo especial?
Simon: Nós vamos fazer uma turnê, shows, camisetas, restaurantes, artes, cosméticos, fotografias, tudo! Faremos a navegação, o barco, as praias, o Sol e a Lua.

89FM: Pretendem vir ao Brasil com essa turnê comemorativa?
Simon: Sim! Vamos tentar fazer novos amigos nesta nossa passagem no Lollapalooza para podermos voltar com a nossa própria turnê.

89FM: Quais são as principais diferenças do Duran Duran de hoje em relação ao início da banda?
Simon: Acho que a grande coisa agora é a gente permitir a música tomar conta de tudo. Antes tinha um pouco de egoísmo, envolvendo o ego de cada um, mas agora isso não acontece mais. Agora a música é a chave de tudo nas nossas vidas.

89FM: Recentemente tivemos a perda de grandes nomes da música como David Bowie, Prince e George Michael. Qual foi a importância deles na sua carreira?
Simon: Eles são artistas contemporâneos. Eu era um grande fã do David Bowie na minha adolescência. Somos da mesma época do Prince e do George Michael. É muito triste que eles foram embora. Mas eles deixaram um grande legado e muito material do trabalho deles. Deixaram alguns buracos na música, mas alguém novo vai se encaixar nesses buracos. Alguém novo e diferente.

89FM: Paper Gods, o mais recente álbum do Duran Duran, tem participações de outros músicos como o Nile Rodgers (guitarrista da banda Chic e também conhecido pelos trabalhos com o Daft Punk, como a música “Get Lucky”) e John Frusciante (foi guitarrista dos Red Hot Chili Peppers e hoje segue em carreira solo). Como foi trabalhar com eles?
Simon: Primeiro eu fiquei preocupado para não perdermos o controle, mas assim que eu ouvi a linha de guitarra que o John Frusciante gravou, percebi um novo tipo de vida que isso poderia trazer para o Duran Duran. E a partir desse ponto, realmente abraçamos isso. E o Mr Hudson (cantor e compositor inglês) colaborou muito em termos de composição, gravação e produção. Todas essas participações realmente deram uma nova vida. Soa como Duran Duran, mas também vai melhor na rádio junto com outras músicas modernas. Eu amo o álbum Paper Gods e estou muito empolgado para tocá-lo no Brasil.

89FM: Tem algum outro artista com quem você também gostaria de trabalhar?
Simon: Com certeza com muitos outros artistas! Eu gostaria de fazer alguma coisa com a PJ Harvey. Ela está no topo da minha lista no momento.

89FM: Você se incomoda com as pessoas que ficam com celulares na mão filmando e tirando fotos durante o show?
Simon: Não faz muita diferença se eu me incomodo ou não. As pessoas fazem isso e é difícil parar as pessoas (risos). Sabe o que eu gosto? Que as pessoas olhem para a banda com seus próprios olhos, não através da tela do celular. O problema que acontece quando as pessoas usam o celular é que elas ficam de olho na tela e não para o palco. E eu gostaria que as pessoas olhassem para o palco.

89FM: Você gostaria de deixar um convite para os seus fãs brasileiros?
Simon: Eu sou o Simon Le Bon, do Duran Duran, e eu convido todos vocês que amam música para o Lollapalooza 2017.

 

 

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Redação 89

89 conversa com Matthew Schultz, vocalista do Cage The Elephant

A 89 conversou com o Matthew Schultz, vocalista do Cage The Elephant, a banda  se apresenta no Lollapalooza Brasil no dia 25 de março no Autódromo de Interlagos.

Matthew falou que todos estão animados de voltar ao Brasil pela terceira vez  com novas músicas. Os caras se apresentaram aqui em 2012 e 2014.

Sobre o novo álbum “Tell I’m Pretty”, o músico revelou o significado do nome e  ressaltou detalhes sobre o processo de produção.

Matthew ainda falou sobre  receber o Grammy 2017 e deixou um recado especial para os fãs brasileiros!

A entrevista foi conduzida por Beatriz Sato e a tradução está na voz da Marina Valsechi. Acesse o player abaixo e ouça:

Veja abaixo a transcrição completa da entrevista:

89FM: Esta vai ser sua terceira vez no Lollapalooza Brasil, vocês estiveram aqui em 2012 e 2014. O que você acha que vai ser diferente desta vez e o que mais você lembra do Brasil?
Matt: Não acho que posso pensar exatamente em algum aspecto que vai ser diferente, além do fato de estarmos indo com novas músicas. Vamos tentar manter o espirito, não importa o que aconteça. Estamos muito felizes em voltar para o Brasil pela terceira vez. Eu recebo lindas mensagens dos fãs brasileiros e da América do Sul e eu sempre mostro para o meu empresário e falo “Olha aqui…Nós temos que voltar o quanto antes.”

89FM: O Cage The Elephant levou o Grammy 2017 de melhor álbum de rock. Como foi a experiência? Vocês imaginavam que isso poderia acontecer?
Matt: Não…Se você tiver a oportunidade de assistir a premiação, você vai ver claramente que nós nem imaginávamos. Não sabíamos o que fazer, pensar, falar, a quem agradecer…nós deveríamos ter preparado algo, mas sei la, o sentimento que fica é de que tudo é possível e que qualquer um pode ganhar . Pode ter soado um pouco arrogante da nossa parte não ter um texto pronto, mas da próxima vez vamos escrever um discurso, ganhando ou não.

89FM: Vocês gravaram as faixas desse novo álbum em apenas um ou dois takes. Você acha que essa forma de gravacão ajudou a captar a energia do show ao vivo?
Matt: Sim, e provavelmente foi um dos grandes objetivos desse álbum. Eu acho que se pensar no passado, as gravações em estúdio tentavam premeditar o que ia acontecer,tudo era calculado. E essa última produção foi talvez menos calculada, crua e energética, o que é muito interessante.

89FM: O Dan Auerbach do Black Keys produziu o álbum Tell I’m Pretty. Conte um pouco como foi essa parceria e o processo de produção.
Matt: Passamos um bom tempo no estúdio, construindo e reconstruindo as musicas, riffs e tudo mais, aí surgiu o Dan. Ele levou bastante tempo preparando o estúdio, mas as gravações aconteceram super rápido e em um curto espaço de tempo. Nós gravávamos faixa por faixa e o Dan nos chamava para ouvir. Nem sempre nós mudávamos o que havíamos feito, pois queríamos manter o espirito de deixar a música empolgante mesmo com as pressões externas. Se eu trabalhasse com o ele novamente, provavelmente sempre seria diferente de alguma forma, mas com certeza fecharia novos projetos.

89FM: Você já declarou que as musicas em Tell I’m Pretty são muito pessoais e que contam uma história. Você acha que o sucesso do penúltimo álbum, permitiu que vocês pudessem ir mais afundo no aspecto emocional deste novo álbum?
Matt: Sim, nós pudemos ter um controle total neste aspecto. Nós sempre tentamos ter uma conexão pessoal, profunda e completa com nossas músicas, mas hoje isso é mais forte. Antes nos preocupávamos mais com a bagagem musical mas para mim, todos os nossos álbuns são honestos e transmitem uma experiência emocional.

89FM: Qual o significado do nome Tell I’m Pretty?
Matt: Nós escolhemos Tell I’m Pretty porque vivemos em uma época em que tudo gira em torno de ser obsessivo com as redes sociais e quantos likes você tem. O nome reflete o fato das pessoas estarem famintas em serem reconhecidas e amadas. E nós como astistas também buscamos esse tipo de aceitação e o título expressa exatamente isso.

89FM: E o que podemos esperar do show do Cage The Elephant no Lollapalooza? Estão preparando algo especial?
Matt: Nós nunca preparamos nada. O que o público pode esperar do show são as músicas de Tell I’m Pretty e como sempre vamos manter o espirito e a energia. Com certeza vai ser muito louco.

89FM: Quais os planos do Cage The Elephant para o futuro?
Matt: Começar a escrever novas músicas, já temos algumas que me agradam muito. Depois é recomeçar todo o processo de gravação e turnê.

89FM: Você gostaria de deixar um convite para os seus fãs brasileiros?
Matt: Aqui é o Matt do Cage The Elephant e nós estamos super ansiosos em ver todo mundo no Lollapalooza Brasil. Espero vocês lá!

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Redação 89

Nando Reis bate um papo com a 89 em Nova York

Em passagem por Nova York, onde realizou um show na última sexta-feira, dia 10, Nando Reis bateu um papo com a 89 FM. Falou sobre o novo trabalho inédito, Jardim Pomar, cuja primeira música de trabalho “Só Posso Dizer”, já está na programação da 89. Contou também sobre as participações especiais de músicos americanos, suas influências musicais e os filhos, que começam a seguir seus passos na música.

 Você ficou quatro anos sem gravar um CD de inéditas, desde Sei. É uma emoção diferente voltar a gravar e apresentar ao público músicas novas?
Talvez a parte que eu mais gosto na minha profissão é entrar em estúdio e gravar discos. Porque é a partir disso que tudo se movimenta. No disco eu levo as músicas que compus, os arranjos que faço com a banda e de onde eu reúno material para fazer os shows. Acontece que o mercado mudou muito, então há uma necessidade, uma atenção de minha parte de cuidar porque são poucos os que compram discos. Na verdade, a ideia de um disco não é simplesmente a realização de uma vaidade, mas sim, uma necessidade de apresentar uma obra artística que se reporta a quem se interessa por ela, a quem ela pode alcançar. O intervalo de quatro anos, diferente do que muita gente pode imaginar, não é por falta de repertório nem de vontade. É uma maneira de administrar. Primeiro porque é frustrante fazer um disco e não poder cuidar. Na verdade, a maneira como o mercado se transformou exige uma transformação na forma de divulgar e eu sou um artista independente, o que é bastante diferente dos 30 anos de Titãs e mais 10 de carreira solo que fiquei vinculado a outras gravadoras. Isso significa que eu custeio tudo o que faço. Então gravar um disco custa dinheiro, lançar e divulgar um disco custa dinheiro. Então, esse também foi o período necessário para me organizar, produzir e pagar esse disco da maneira como eu quis, porque é um disco que foi lançado não só em CD, mas também em dois vinis, em cassete e em todas as plataformas musicais. Esse é um trabalho que exige cuidado e tempo. Eu costumo dizer que levei 54 anos para fazer esse disco.

Em Jardim Pomar, seu trabalho mais recente, você trabalhou com Mike McCready, guitarrista do Pearl Jam, com Jack Endino, que foi produtor do Nirvana e com quem você já havia trabalhado antes, e com Barrett Martin, baterista do Screaming Trees. O que você tinham em mente quando buscou essas parcerias e o que você acha que elas acrescentaram ao novo disco?
Eu gosto de trabalhar em equipe, coletivamente. Na hora que eu entro no estúdio e chamo os músicos, a participação deles é importantíssima. Ao longo da minha experiência, eu tive conhecimento e contato com músicos com os quais eu tive muita afinidade e admiração pela qualidade do trabalho musical deles. O Jack Endino é um amigo antigo, que produziu discos dos Titãs, meu segundo disco solo e esse é o terceiro disco que eu faço com ele como produtor. O Barrett é baterista e produtor e, como os outros, também mora em Seattle e foi quem me apresentou ao Peter Buck do REM. Tem o Mike McCready, do Pearl Jam, que também toca no disco. Enfim, eu gosto de buscar essa junção. A minha formação como músico se dá basicamente com música brasileira, mas há também grande influência de música de língua inglesa. Ou seja, é natural para mim que o que eu vá produzir conte com essa participação. Quando eu pude viajar e conhecer músicos norte-americanos, era isso que eu queria: que a minha música tivesse todos esses elementos. Por exemplo: tem um tecladista que toca comigo há muitos anos, o Alex Veley, que é norte-americano. Há algo que só ele pode tocar graças à sua formação. A música que eu faço é resultado dessa somatória. E eu preciso trabalhar com gente que eu gosto, porque a produção acaba envolvendo a afinidade, a relação pessoal. Eu não sei trabalhar se não for dessa forma.

Tem alguém em quem você se inspira? Quais são seus ídolos?
A inspiração vai além da parte musical. Tem a ver com a forma como é feito, a posição dessas pessoas em relação ao mundo. Para você ter uma ideia, eu estou lendo uma coleção de livros muito interessantes, chamada 33 1/3. São pequenos volumes e cada um aborda um disco específico. Eu acabei de ler o que fala de Let it Be, dos Beatles e comecei a ler Songs in the Key of Life, do Steve Wonder. Anteriormente, eu já tinha lido sobre o Harvest, do Neil Young e sobre o Live, disco ao vivo do Donny Hathaway. São quatro artistas fundamentais, maravilhosos, especialmente o Stevie Wonder. O Donny Hathaway eu conheci mais recentemente, embora ele tenha produzido seus discos nos anos 70. Mas a banda que eu mais gosto certamente é o Led Zeppelin.

Em suas composições, você faz muitas referências à sua família. Agora seus filhos Theodoro e Sebastião estão chegando com a banda Dois Reis. Como pai e músico, o que você está achando de eles seguirem seu caminho na música?
É claro que há muitas coisas que eu observo e posso dizer que tenho medo, porque pais sempre têm medo do futuro dos filhos. Mas é uma coisa natural. Não tenho nenhuma dúvida da capacidade deles, mas em primeiro lugar eu quero que eles se realizem. Eu não me meto muito. Eu espero que eles me perguntem, mas obviamente eu tenho minha opinião. Acho que agora, depois de 3 anos de banda, o trabalho deles chegou a uma linguagem própria. Eles já estão gravando seu primeiro disco e é claro que como pai eu fico orgulhoso e torcendo. Como músico, eu tenho consciência de que ser filho de um pai famoso mais atrapalha do que ajuda. Tem a comparação, a maneira preconceituosa com que as pessoas acham que tudo o que eles fazem é devido ao prestígio emprestado de mim. Isso é uma idiotice. Ninguém conquista nada na vida se não for por méritos próprios.

Em seu novo disco, uma única música não é inédita: Concórdia, que foi gravada por Elza Soares há muitos anos. Depois que outro artista grava uma composição sua, o que o leva a também querer gravá-la?
É estranho porque essa decisão não se dá por uma avaliação crítica. É bastante subjetiva e acompanha algo circunstancial dentro do que aquele disco se configura. Essa música é bem antiga.  Eu sempre achei que ela tinha uma beleza e que um dia eu iria gravá-la. Não sei dizer o porquê, mas chegou a hora dela. Eu, felizmente, tenho muitas músicas gravadas por outros artistas e gosto de todas elas porque acho que cada artista dá um ângulo diferente à composição. De alguns eu tenho mais afinidade, proximidade. A Cássia Eller, por exemplo, foi quem mais gravou músicas minhas, me convidou para produzir os discos dela. Quando eu saí dos Titãs e comecei a fazer meus shows solo, aconteceu uma coisa curiosa: eu repatriei muitas músicas porque, de certa maneira, eu estava precisando ter maior clareza de qual era a minha identidade musical. As pessoas comentavam que eu estava cantando a música da Marisa Monte, da Cássia Eller. É natural, porque é o intérprete que dá voz à música. Mas em um determinado momento eu senti vontade e necessidade de as pessoas reconhecerem a minha autoria.

A entrevista foi produzida por Rogéria Vianna, correspondente da 89 em Nova York.

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Redação 89

Sting fala com exclusividade para a 89 sobre seu novo álbum

A 89 bateu um papo com o Sting sobre o novo álbum “57th & 9th”, que tem lançamento agendado ainda para 11 de novembro.

O músico comentou sobre o  processo de produção, suas inspirações, revelou que a gravação do disco foi rápida e espontânea, porque ele queria que tivesse uma sensação de surpresa.

Sting ainda falou que os motivos dele se tornar músico (por causa dos Beatles e Elvis Presley) e  ressaltou  também sobre as influências da música brasileira em seus trabalhos.

Sobre um show no Brasil, o músico destacou o carinho e disse que gostaria de voltar,  mas antes precisa ser convidado.

Acesse o player abaixo e curta a entrevista:

Veja abaixo a transcrição completa da entrevista:

89: Quais são as inspirações para o novo álbum 57th & 9th?
Sting: Inspiração é uma coisa difícil, você nunca sabe onde procurá-la.
A primeira música chama “I Can’t Stop Thinking About You” e é sobre obsessão. Começa com um homem olhando uma página em branco, vazia e com uma caneta. Não há pistas sobre o que é, se é um caminho, um espírito, um quebra-cabeças. É sobre essa obsessão por achar uma história. Este é o começo do álbum. A maioria das músicas são pequenas histórias de três ou quatro minutos, algumas delas estão conectadas, outras não. É uma coletânea de pequenas histórias inspiradas por essa procura, de passar um tempo no estúdio todos os dias e tentando achar a tal história.

89: Quanto tempo levou para gravar o álbum?
Sting: Não muito, comecei no início deste ano. Andávamos das nossas casas todos os dias para o estúdio, com meus amigos músicos que trabalho há anos. Conseguir acertar o tempo, o tom, tocar. Ouvir as ideias faz parte do meu trabalho, que é organizar tudo isso em formato de uma música, encontrar uma história. É aí que o verdadeiro trabalho começa. A gravação do álbum foi muito rápida e de um jeito espontâneo, porque eu queria que tivesse uma sensação de surpresa. Acho que recentemente eu tenho feito trabalhos mais exotéricos, mais estranhos. No 57th & 9th eu quis ser mais direto e surpreender as pessoas, não entregar para elas o esperado, o que me faz feliz.

89: As primeiras músicas são mais rock n’ roll e até um pouco folk.
Por que essa escolha?
Sting: Minha carreira de rock n’ roll começou com o The Police e um dos motivos de eu ser músico é por causa dos Beatles e Elvis Presley. As músicas folks são balanceadas com o resto do álbum e são até jazz, eu diria.

89: Algumas músicas tem percussões que parecem muito com as da Bossa Nova e da música brasileira.
Sting: A música brasileira têm uma grande influência no meu DNA. É algo que eu amo e respeito, sempre fico feliz de ouvir isso, especialmente de um brasileiro.

89: O 57th & 9th foi uma intersecção. Você lembra de algumas intersecções que aconteceram na sua vida?
Sting: Eu penso muito nisso, nas decisões que tomamos, algumas vezes muito profundas, no qual escolher entre esquerda e direita poderia acabar em um universo completamente diferente. Talvez esses universos existam, essa teoria de multiverso e nele provavelmente eu escolhi ir no caminho da esquerda ao invés da direita. De qualquer jeito, estamos neste mundo e você faz decisões muito rápidas e espontâneas na música: os acordes devem subir o tom? Devem ser menores ou maiores? A letra deve fazer isso ou aquilo? Ser um músico é tomar decisões e elas devem terminar em uma surpresa. Quando eu escuto a música dos outros eu quero ficar surpreso e eu quero que no meu álbum as pessoas se sintam assim. Não em choque, mas com uma surpresa agradável.

89: Você mencionou que gosta de músicas que te surpreendam. Qual foi o último show que você foi que te surpreendeu?
Sting: Vou no show do Boy George no Hollywood Bowl, ele tocará com o Los Angeles Philharmonic. Vai ser fantástiso porque ele é um ótimo cantor e é uma ótima orquestra, eu os assisti um mês atrás. Eu quero ficar impressionado neste show.

89: Tem planos de vir ao Brasil?
Sting: O Brasil foi uma parte muito importante da minha vida, viajando por lá, tocando, vivendo por um tempo em Mato Grosso, com amigos brasileiros e relações musicais com eles. Eu adoraria voltar mas antes eu preciso ser convidado (risos).

89: Qual é a sensação de ter hits que quase todo mundo, de todas idades, sabe cantar?
Sting: Na canção “50.000” eu falo do sentimento que é cantar uma música e ter 50 mil pessoas cantando as letras de volta para você. Uma canção que você compôs quando era uma criança e era pobre. É fantástico, um sentimento maravilhoso de confirmação. Mas também pode te deixar muito bêbado e poderoso, então é preciso ter cuidado, você tem que balancear esse sentimento intoxicante com a realidade.

89: Você dá crédito ao seu sucesso por alguma coisa?
Sting: Acho que é uma combinação de sorte, trabalho duro, disciplina e com certeza inteligência e estratégia. Além disso, acreditar que sua curiosidade pode te levar à algum lugar interessante e útil. Eu sempre acreditei na ideia de que se você fizer um bom trabalho e com diligência, sendo ou não um sucesso comercial, não importa, dá um retorno ao seu trabalho. Eu fiz um álbum, alguns anos atrás, o 16th Century Songs. Eu não consigo explicar o porquê, mas eu vejo coisas que eu descobri numa jornada que chegaram na música de agora, portanto nada é perdido. Eu sigo minha curiosidade.

89: O quão importante é para você escrever letras significativas?
Sting: Eu não começo com o pensamento “agora eu vou escrever uma música significativa”, mas claro que minhas preocupações vem de forma inconsciente, os problemas com o planeta, a política, problemas ecológicos, sociais e filosóficos. Portanto eles chegam na música de forma automática. Por exemplo, a canção “One Fine Day” é sobre mudança de clima, mas ela é muito irônica, porque eu estou orando dizendo que o clima está bom, que o gelo não está derretendo, que as florestas tropicais não estão desaparecendo e que está tudo bem. E minha parte intelectual diz que isso não é verdade. Neste dia específico da história de “One Fine Day”, um homem persiste na ideia de que ele está caindo. Eu acho que é uma situação que a maneira é persistir com a loucura e que, um dia, vai virar sabedoria.

A entrevista foi produzida por Danilo Kawasaki, correspondente da 89 dos Estados Unidos.

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Redação 89

89 conversa com Arejay Hale, baterista do Halestorm

A 89 conversou com o Arejay Hale, baterista do Halestorm, que vai tocar no Maximus Festival dia 07 de setembro no Autódromo de Interlagos.

Sobre o Maximus Festival, Arejay disse que será muito especial para a banda, principalmente pelo público que irá ao show, ele revelou que os fãs brasileiros são completamente diferentes, mais divertidos e são cheios de surpresas.

O baterista também revelou detalhes sobre tocar em uma banda com a sua irmã, Lzzy. Arejay falou que os dois começaram a escrever juntos e que tinham a mesma paixão pela música, relembrou histórias que marcaram a infância dos dois e disse que essa conexão de família é importante para a união da banda.

Arejay ainda falou que ele e sua mãe são fãs do Marilyn Manson, que já fizeram alguns shows juntos, porém nunca teve a oportunidade de o conhecer pessoalmente, mas seria um enorme prazer.

Ouça a entrevista conduzida pelo produtor Wendell Correia:.



Veja abaixo a transcrição completa da entrevista:

89: O que você lembra do Brasil?
Arejay Hale: Lembro que passamos por São Paulo em 2013 com o Adreline Mob e também tocamos no Rock In Rio ano passado. Foi muito bom, muito divertido!

89: Você lembra de algum lugar específico que visitaram no Brasil?

Arejay Hale: Eu definitivamente me lembro de ter ido à praia no Rio de Janeiro e foi incrível! Todos os integrantes da banda e da equipe foram para a praia. Montamos uma tenda, tivemos um dia de folga antes do Rock In Rio. Quando não estávamos trabalhando, estávamos na praia. Foi muito legal!

89: O que podemos esperar do show Halestorm dessa vez no Maximus Festival?
Arejay Hale: Vai ser como na primeira vez em que tocamos no Brasil, em São Paulo. Vai ser muito especial para nós, principalmente pelo público que irá ao show. Tenho certeza que você já deve ter ouvido isto de outras bandas e artistas, principalmente dos Estados Unidos, que o público é completamente diferente do que temos aqui. Na América do Sul nosso público é mais selvagem e maluco, eles são muito divertidos de ver de cima do palco. Tocar na América do Sul, especialmente no Brasil, é simplesmente incrível, todos os nossos fãs são cheios de surpresas para nós. Enquanto estamos fazendo o show para eles, eles estão fazendo um show para nós de formas muito criativas. Por exemplo quando tocamos “Here To Us”, que é uma das músicas do nosso segundo álbum, que tem um som mais americanizado, meio balada. Eu não sei como todo público conseguiu, mas eles lançaram várias bexigas no ar e é tudo coreografado e perfeitamente planejado por eles. E também seguraram placas escrito “OH” quando tocamos a música “I Miss The Misery” durante a introdução dela. Esses são apenas alguns exemplos, mas nos impressionaram com a criatividade deles. Quando tocamos pela primeira vez no Brasil, pesamos que ninguém iria conhecer a banda, e ter esses tipos de pessoas no nosso show é extraordinário!

89: Na primeira vez que em que o Halestorm esteve no Brasil, vocês também vieram para a rádio. Você lembra desse dia?
Arejay Hale: Sim, eu me lembro! Tinham muitos fãs esperando do lado de fora do prédio para nos ver, isso muito legal! Aliás em todos os lugares que íamos, sentíamos muito amor deles por nossa música. E a gente sentiu que a música realmente está dentro de todos, porque eles amam nossa música. O público brasileiro é muito mais apaixonado e isso nos alegra.

89: O Maximus Festival também vai ter várias bandas, como o Disturbed e Marilyn Manson. Pensa em fazer alguma parceria nos shows com alguma dessas bandas?
Arejay Hale: Nós já fizemos uma turnê com o Disturbed e amamos esses caras, eles são realmente incríveis. Nós também já fizemos alguns shows com o Marilyn Manson, porém eu nunca tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente, apesar de sempre ter sido um fã dele. Eu estou muito animado de ir ao Brasil ver diferentes bandas e ver como o público reage ao Heavy Metal, porque isso é muito legal de assistir.

89: Se você tiver a oportunidade de conhecer pessoalmente o Marilyn Manson dessa vez, o que você diria a ele?
Arejay Hale: Ai meu Deus! (risos). O que eu diria …O que eu diria a Marilyn Manson? Eu diria: “Uau! Meu Deus! Você é muito louco!” (risos). Sabe uma das coisas mais legais que eu vi sobre o Marilyn Manson foi quando ele deu uma entrevista a Steve Raleigh que é um cara muito conservador politicamente falando na televisão dos Estados Unidos. Ele estava comentando com Marilyn Manson de como ele estava corrompendo as crianças e a juventude e que ele influenciava para elas fazerem coisas horríveis. O Marilyn Manson respondeu de forma muito inteligente. Basicamente respondeu que isso é o direito de liberdade. De que de fato é a liberdade dele ser ele mesmo, de como ele fala. Então ele comenta com o Steve Raleigh que “da mesma forma que você apresenta o programa de terno e gravata e dá a sua opinião, eu no meu show me visto da forma que eu preferir e dou a minha opinião”. Foi incrível como ele conseguiu contornar a situação, porque o Raleigh estava tentando o desconcertar e Marliyn foi brilhante! E desde então eu admiro esse lado do Marilyn Manson. E também tem um fato muito engraçada, pois a minha mãe é uma grande fã dele e eu sei que é meio estranho saber que os pais de alguém são fãs do Marilyn Manson. Minha mãe é uma super fã dele e o fato de que ele é muito honesto e sincero com o que ele faz. Eu tenho muito respeito pelo Marilyn Manson. Ele é um cara muito inteligente e também muito talentoso. Eu adoro o álbum “Antichrist Superstar” e os outros discos dele. Eu me lembro da última música que
ele tocou em um festival na Flórida. Eu vi o final de “The Beautiful People” e foi muito legal e eu não vejo a hora de poder ver o show inteiro!

89: Em 2017 o Halestorm vai completar 20 anos. Vocês irão comemorar a data de alguma forma?
Arejay Hale: Eu não sei o que vamos fazer. Eu acho que após vinte anos fazendo Hard Core, talvez a gente comemore tirando férias (risos). Eu não lembro quando foi o último verão que fizemos isso.

89: É verdade que estão gravando um novo álbum?
Arejay Hale: Nós estamos escrevendo. Algumas melodias e letras escrevemos juntos e outras sozinhos. Estamos tentando fazer a ideia fluir, repassando a ideia várias vezes para ver qual o caminho iremos tomar para o próximo álbum. Mas ainda é cedo porque ainda estamos em turnê com o nosso mais recente álbum até o final o começo do ano que vem. Na minha cabeça ainda está longe, então evito pensar um pouco nesse novo álbum.

89: Vocês regravarem músicas de outros artistas influencia no processo da banda de escrever novas músicas?
Arejay Hale: Influencia sim. A gente se diverte muito fazendo covers, é uma energia boa. Quando regravamos a música “Slave To The Grind” do Skid Row, nos influenciamos para escrever “Love Bites (So Do I). É esta energia que a música nos traz quando estamos tocando e é isso que nos inspira. Eu acho que é muito importante para muitos compositores ouvir músicas de outras pessoas, porque realmente ajuda a ter inspiração, a pensar de forma diferente. Tentar entrar dentro da mente de um compositor ou artista e pensar como ele conseguiu fazer essa música, acordes e letra. O estudo sobre eles ajuda a inspirar a criar ideias inovadoras. Eu acho que esta é a melhor forma e é mais fácil do que ficar em uma sala tentando criar uma ideia. Você precisa de algo que te inspire e então encontrar o seu próprio caminho. Eu acho que aprender a fazer uma nova versão de uma música que já existe é um bom caminho para ficar inspirado e criar uma nova canção que seja única.

89: Qual é a melhor e a pior coisa em tocar em uma banda com a sua irmã?
Arejay Hale: É realmente muito bom ter uma banda com a Lzzy! Crescemos juntos no meio do nada e não temos muitos amigos. Não tínhamos vizinhos e na escola éramos excluídos. Na verdade, minha irmã era um pouco mais popular que eu. A parte boa disso é que fomos forçados a ser amigos e quando percebemos que
tínhamos a mesma paixão pela música, começamos a escrever juntos, o que fez com que ficássemos muito próximos, até hoje. E atualmente os três, Lzzy, Joe e Josh são meus irmãos. A gente não consegue mais distinguir quem é parte da família de sangue e quem é uma extensão da nossa família. Mas eu acho que ter esse tipo de conexão de família é muito bom e todos ao nosso redor conseguem ver o amor de família que temos e eu acho que é isso que faz a banda se manter unida e gerar a química entre nós. E a pior coisa é ter que cuidar da minha irmã quando ela fica bêbada (risos). Quando o show termina, ela gosta bastante de festejar e as vezes tenho que ajudar e assumir o papel de irmão mais velho e cuidar da minha irmã que festeja muito. Mas isso é uma coisa boa porque eu amo muito minha irmã. Eu faria qualquer coisa por ela e o que ela precisar vai sempre poder contar comigo. Então eu acho que não há uma coisa ruim em estar na mesma banda com minha irmã.

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Redação 89

89 conversa com Richie Ramone que tocará em SP

A 89 bateu um papo com o Richie Ramone, ex-baterista dos Ramones, ele vai tocar em São Paulo na Clash Club, no dia 28 de agosto.

O músico falou sobre  o processo de criação e de composição do  novo álbum “Cellophane”,  a versão de “Enjoy The Silence” do Depeche Mode e  revelou que quis trazer um novo tipo de estrutura  para as novas músicas.

Richie também destacou a importância de estar em turnê em contato com os seus fãs, até porque eles são a sua inspiração para sua dedicação a música.

Sobre sua apresentação em São Paulo, ele não revelou o que irá fazer, mas promete um bom show e afirmou que continua com o ritmo  agressivamente rápido e alto assim como os Ramones.

Acesse o player abaixo e curta a entrevista:

Veja abaixo a transcrição completa da entrevista:

89: Você está lançando um novo álbum, Cellophane. Como foi o processo de composição e gravação?

Richie Ramone: O álbum foi produzido por Paul Ross, que acabou virando um grande amigo. Ele já tocou com a Nina Hagen e algumas bandas de punk. Sobre o processo de composição, eu na verdade escrevi algumas músicas com alguns dos integrantes da minha banda e uma outra com o guitarrista do The Two Ten. Eu quis trazer uma nova estrutura para essas novas músicas e melodias. Este é um grande álbum, e tem um primeiro single (“I Fix This”) muito bom. Ela é uma faixa amigável e eu estou realmente muito animado com ela. Acho que tanto a música quanto o vídeo estão indo muito bem.

89: O álbum também conta com uma versão da música “Enjoy The Silence” do Depeche Mode. Por quê decidiu fazer essa versão e coloca-la no disco?
Richie Ramone: Eu gosto da mensagem dela. Achei que ia combinar com a minha voz e eu realmente gosto desta música. Quando comecei a tocar com a banda, nós mexemos nela, fizemos ela ficar mais pesada e ficou com a nossa cara. Achei que ficou legal e eu gostei bastante.

89: Por quê deu o nome do álbum de Cellophane?
Richie Ramone: O nome ficou “Cellophane” porque também é o nome da terceira faixa do álbum. É uma música sobre os fãs. Fala sobre estar na estrada o tempo todo, de toda noite ter que ter energia para fazer o show, mesmo quando está em um dia que não está com disposição. E quando você chega no lugar da apresentação e a plateia começa a gritar o seu nome…cara, eles nos animam muito! E eu também gosto de como soa esse nome (risos).

89: Você prefere estar em turnê ou no estúdio?
Richie Ramone: Em turnê. Sem se apresentar para o público, não teria razão de ficar no estúdio. São eles o motivo da nossa dedicação a música, queremos que eles se divirtam. Eu amo viajar, comer e beber diferentes tipos de comida e bebidas ao redor do mundo. Amo conversar com todo mundo. Tiro fotos depois dos shows, dou autógrafos, converso com os fãs, pergunto o que eles acharam e o que passa na cabeça deles. É muito gratificante, é uma experiência muito boa. Gravar um disco é uma coisa, mas nada substitui o “ao vivo”.

89: Você se sente mais confortável tocando bateria ou cantando ou os dois ao mesmo tempo?
Richie Ramone: Eu me sinto confortável com ambos. Nas minhas atuais apresentações, eu toco bateria e canto. Meu segundo guitarrista vai para a bateria quando eu vou para frente do palco cantar e interagir com a plateia. Em algumas partes do show, eu toco bateria e canto ao mesmo tempo, mas não é o suficiente. Eu quero interagir e cantar com a plateia, dividir o microfone com eles e animar todo mundo. Isso que é importante. Uma vez que eu tenho dois guitarristas, sendo que um deles toca bateria, posso ir para frente enquanto um deles assume as baquetas.

89: Você está preparando algo especial para o show em São Paulo este ano?
Richie Ramone: Tudo e todo show é especial. Todas as apresentações são especiais, mas eu não vou te contar o que irei fazer. O show realmente é bom, porque o ritmo continua agressivamente rápido e alto assim como os Ramones. Eu toco algumas músicas dos meus dois primeiros discos, além de algumas músicas que eu gravei com os Ramones nos anos 1980 como “Somebody Put Something In My Drink” e “(You) Can’t Say Anything Nice”. E também tem os clássicos dos primeiros álbuns dos Ramones. Isto realmente funciona e é um show que não tem pausa, deixa todos suados e a plateia fica querendo mais e faz com que quando vão embora falem para as pessoas que não foram o que elas perderam.

89: Você tem uma música favorita dos Ramones?
Richie Ramone: Se eu ganhasse um dólar a cada vez que alguém me pergunta isso…Como escolher apenas uma música dos Ramones? É impossível! O catálogo da banda tem tantas músicas boas. Naturalmente, eu escolho para os meus shows músicas como “Havana Affair” e “Blitzkrieg Bop”. Eu gosto das músicas mais agressivas que os Ramones fizeram porque eu acho funciona bem com a minha voz. Eu não sou tão bom quanto o Joey Ramone cantando, mas esses tipos de músicas realmente funcionam. Mas eu não posso escolher apenas uma música e não acho que alguém possa.

89: Você mantém contato com os integrantes que fizeram parte dos Ramones que ainda estão vivos?
Richie Ramone: Todos estão cuidando das suas respectivas vidas. Eu conversei algumas vezes com CJ ao longo dos anos. Nós estamos pensando em fazer algo juntos algum dia, mas vamos ver o que acontece. O Marky eu conheci faz muito tempo, mas nunca falo com ele.

89: Se algum dia acontecer um show especial ou algum tipo de tributo aos Ramones algum dia, unindo os músicos que fizeram parte da banda, você participaria?
Richie Ramone: Isso nunca vai acontecer…o que temos são dois bateristas e um baixista, não tem como tocar assim (risos).

89: Falando sobre o Brasil, você lembra como foi a última vez que esteve no país?
Richie Ramone: Sim, eu estive no Brasil há quatro anos (2012), antes de lançar o meu primeiro álbum e estava com a primeira formação da minha banda. Mas agora eu tenho a melhor formação que já tive. Eles realmente trabalham duro, são cheios de vida e estamos muito felizes. Mas sabe, eu me recordo de muitas coisas boas do país. A gente vai para o Brasil e recebe muito amor e respeito e não só por eu ser um Ramone. Todos são tão legais que tornam minha passagem muito boa e sabe, quatro anos é muito tempo para ficar sem ir ao Brasil. Demorou muito tempo para encontrar um assessor para me levar de volta. Vou me encontrar com vocês em breve.

89: Como você vê a cena do rock atual, especialmente o punk? Alguma banda que você gosta?
Richie Ramone: Está tudo mudando…o Punk Rock já tem muitos anos. Eu gosto muito do Teenage Bottlerocket, porque eles cantam e tocam com o coração. É uma das minhas bandas favoritas desses últimos anos. Uma parte boa de fazer turnê é poder ver bandas que eu nunca ouvi falar, e isso me anima. Eu converso muito com as bandas de abertura, eles me mandam alguns arquivos e é bem legal. Eu sou do tipo de cara que se eu estiver no camarim e ouvir uma banda legal eu vou até ela e assisto eles tocarem. Eu não vejo a hora de ir ouvir essas novas bandas da América do Sul.

89: Teve algum momento em sua carreira que você considerou o mais especial?
Richie Ramone: Sim. Eu tinha 24 anos quando me juntei aos Ramones e foi a minha primeira turnê pelos Estados Unidos. Eu sou muito abençoado, honrado e agradecido por isso. Estava em uma das melhores bandas de rock n’ roll da história. É inacreditável! Fazer parte desse legado é emocionante. E me tornar amigo do Joey, sabe? Sinto falta dele. Mas sei que ele está olhando lá de cima dizendo “Ole Ole Richie”. Eu tenho certeza disso.

89: Você considera os Ramones a melhor maior banda de rock n’ roll de todos os tempos?
Richie Ramone: Só tem algumas bandas que inovaram a música e os Ramones mudaram a forma na qual a ouvimos hoje em dia e muitas bandas seguiram esta linha. Então foi isso que fez com que eles fossem muito bons e um dos melhores, porque eles mudaram a face da música.

89: Qual a sua opinião sobre premiações como o Grammy e o Rock N Roll Hall Of Fame?
Richie Ramone: Eu acho que são legais, mas não compreendo porque eles começam a fazer isso depois que todos morreram. Sabe, o Joey ficaria feliz de ter tido a chance de comparecer ao Rock N Roll Hall Of Fame. Mas é o rumo que a vida toma. Os Ramones começaram a ficar muito conhecidos quando os integrantes principais estavam morrendo, o que eu não entendo, porque se fosse nos dias atuais, eles estariam ainda mais populares no rádio do que foram nos anos 1970 e 1980.

89: Qual é a sua opinião sobre a atual forma que as pessoas ouvem música, como o streaming e internet? Você usa esses meios ou acha que o rádio ainda é o melhor meio de ouvir música?
Richie Ramone: Eu ouço música quando estou dirigindo o meu carro, mudando as estações de rádio. A música mudou por completo. O rock n’ roll não é mais só pela diversão. É uma música pop agora, dançante, e as rádios dos Estados Unidos não tocam tanto quanto tocava antes. Uma banda que vendia dois milhões de discos alguns anos atrás, vendem apenas cem mil agora, porque hoje tudo é liberado de graça. Mas você não pode sentar e ficar bravo com isso, tem que seguir em frente. É o jeito que as coisas são. Para os fãs isso é bom. Nós não ganhamos mais dinheiro com os discos, porque a gente não vende muito, então temos que fazer mais turnês. E eles conseguem ver muitas bandas por causas dessas turnês. Nós fazemos dinheiro com isso e com o merchandising. Por isso que é bom para o fãs. Mas não fico me lamentando por causa disso. Meus álbuns são lançados, e no dia seguinte alguém já disponibiliza as músicas no YouTube. Eu acho que agora até as crianças preferem ir dançar em outro lugar do que ver música ao vivo. Eu espero que isso mude. Mas ainda tem pessoas que apoiam as bandas e compram os CDs e vinis e são essas pessoas que eu agradeço, especialmente os fãs dos Ramones. Eles são grandes colecionadores. Querem os CDs, álbuns completos e tudo o que puderem ter. Eu pego algumas fotos das coleções dessa galera que eu nunca tinha visto. Eles gostam de ter tudo na mão e eu fico muito orgulhoso disto.

89: Deixe um recado para os seus fãs de São Paulo.
Richie Ramone: Venham para o meu show na Clash Club dia 28 de agosto em São Paulo. Como eu disse antes, eu quero ir aí, sentar com vocês, tomar umas bebidas e festejar. É depois do show que as cosias continuam acontecendo. Eu não vou fugir. Vamos se divertir! Encontro vocês lá.

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Redação 89

89 conversa com Dan Donegan, guitarrista do Disturbed

A 89 conversou com o Dan Donegan, guitarrista da banda Disturbed, que se apresenta no Maximus Festival que está agendado para o dia 7 de setembro (feriado do Dia da Independência do Brasil) no Autódromo de Interlagos em São Paulo.

Os caras estão no final da turnê “Immortalized”, o guitarrista falou que esta indo muito bem,  que o grupo tem tocado em lugares grandes com a companhia de várias bandas, como: Breaking Benjamin, Alter Bridge e Saint Asonia.

Em setembro é a segunda vez do Disturbed no Brasil, Dan comentou sobre a receptividade dos fãs brasileiros e que os caras estão muito animados e ansiosos para voltar e fazer uma apresentação memorável.

O guitarrista ainda falou sobre o grande sucesso da faixa “The Sound Of Silence”, ele ficou abismado com a rapidez com que as respostas vieram e foi uma ótima surpresa ver que a música agradou não só aos fãs.

O  Maximus Festival é promoção 89, para ficar por dentro dos detalhes fique ligado na Rádio Rock ou acesse o site oficial do evento.

Acesse o player abaixo e curta a entrevista:

Veja abaixo a transcrição completa da entrevista:

89: Como tem sido a “Immortalized”?
Dan Donegan: As coisas estão indo bem, nós estamos tocando em alguns lugares grandes, tem ótimas bandas com a gente como o Breaking Benjamin, Alter Bridge e Saint Asonia. E provavelmente temos mais uma semana de turnê antes de voltar para casa.

89: Você prefere tocar em festivais ou nos shows que tem apenas o Disturbed?
Dan Donegan: Eu gosto de alternar. Não me importo com a variedade porque já estive em festivais muitas vezes e a gente encontra amigos de outras bandas que não víamos há algum tempo, que normalmente são os grandes nomes do evento. Mas essa turnê, sendo a atração principal junto com o Breaking Benjamin, tem sido bem sucedida e produtiva em todo show, então estamos gostando muito.

89: O que você se lembra do Brasil?
Dan Donegan: Eu lembro de como os nossos fãs foram ótimos, como fizeram barulho, se divertindo e conversando. Até no aeroporto eu me lembro que alguns deles vieram para nos encontrar, tirar fotos e pedir autógrafos. Eles pareceram muito apaixonados por música e pela banda e aquilo foi emocionante para nós porque era nossa última turnê antes do hiato. Então foi bom terminar forte assim e agora poder voltar para o Brasil. Estamos ansiosos.

89: E o que podemos esperar para o show do Disturbed em São Paulo no Maximus Festival?
Dan Donegan: Uma energia muito forte. Nós estamos muito animados e ansiosos, ficamos parados por quatro anos e agora pudemos recarregar as baterias, e nós sentimos falta do que tínhamos juntos. Então agora que estamos no palco juntos há um novo nível de animação, uma nova energia. Nosso relacionamento como banda nunca esteve tão forte, acho que é aparente para todos, e há uma grande irmandade entre nós. Só esperamos uma boa interação entre nós e os fãs. Não somos o tipo de banda que só sobe no palco e toca, nós gostamos de ter a plateia envolvida, deixamos eles serem parte do show, interagir com eles, e fazer contato. Eu gosto de olhar a multidão e fazer contato visual com o máximo de pessoas que eu conseguir e ver a emoção no rosto delas e me conectar.

 89: Nesse próximo show aqui no Brasil vão estar muitas outras bandas, como o Halestorm. Vocês já se apresentaram com a Lzzy Hale. Tem alguma chance disso acontecer aqui no Brasil?
Dan Donegan: É possível! Fico feliz que você mencionou isso. Não discutimos isso, mas com certeza é algo que devemos considerar, sabe? Nós temos ótimos fãs, tem os fãs das bandas que vão estar lá também, então tudo é possível. Lzzy Hale é uma cantora sensacional, ela é minha vocalista favorita e eu já toquei com eles muitas vezes. Eu acho que há uma possibilidade, só temos que ver se conseguimos dar um jeito.

89: Vocês costumam tocar e gravar músicas de outras bandas. Já aconteceu de tentarem fazer uma versão de alguma música, mas não gostar do resultado final?
Dan Donegan: Não, acho que não. Nós temos uma lista de ideias e quando combinamos algo, nós mergulhamos nisso e terminamos. Foi o que fizemos com “Shout” do Tears For Fears, “Land Of Confusion” do Genesis e, claro, agora com “The Sound of Silence” do Simon & Garfunkel. Nós gostamos de aceitar esse desafio e ter a pressão de tentar. A gente pega a versão do artista original e damos a nossa interpretação. Não lembro de nada que a gente tenha começado e desistido. Sempre vamos até o final.

 89: Vocês fizeram alguma versão de alguma música ou artista brasileiro?
Dan Donegan: Não, nunca. Talvez nos primeiros dias da banda, não sei…Mas nós somos grandes fãs do Soulfly, Max Cavalera e do Sepultura. Claro que o som deles é muito mais “agressivo” do que o que fazemos, mas somos grandes fãs.

89: A música “The Sound of Silence” é um grande sucesso no mundo todo. Você achou que ela faria tanto sucesso?
Dan Donegan: Pessoalmente, eu estava confiante que tínhamos feito uma ótima versão dessa música. Eu fiquei surpreso com a rapidez com que as respostas vieram, porque eu sabia que tinha sido algo importante e que nossos fãs não esperavam por algo tão diferente como isso. Eu achei que levaria um tempo para eles se acostumarem com a ideia, mas parece que eles gostaram instantaneamente. Então foi uma ótima surpresa ver que a música agradou não só aos nossos fãs mais alucinados que sempre deram muito apoio para nós, mas também pessoas que nunca escutariam, que nunca deram uma chance para banda. E nós tivemos uma resposta do próprio Paul Simon, que ouviu nossa versão e nos deu “sua benção”. Além de atores como o Russell Crowe, The Rock, tivemos muitos elogios de pessoas….ficamos muito felizes por isso.

89: Em 2016 o Disturbed completa 20 anos. Vocês vão fazer algum tipo de comemoração?
Dan Donegan: Não sei. Nosso aniversário foi dia 04 de Agosto, entã já passou a data. Nós somos muito felizes por levar a carreira e estarmos juntos todo esse tempo. É um trabalho difícil continuar recebendo atenção das pessoas com o que estamos fazendo, e acho que nós somos muito sortudos por isso. Talvez vamos fazer algo comemorativa quando fizer 20 anos do álbum “The Sickness”, lançado em 2000. Estamos quatro anos longe disso. Mas não tenho certeza se faremos algo realmente especial no aniversário da banda, nós estamos ocupados em turnê agora tocando quase cinco noites por semana com muitos compromissos.

89: É verdade que quando você era mais novo você não queria cortar seu cabelo? Mas agora você cortou, certo?
Dan Donegan: Sim (risos). Na época, foi uma revolta. Se eu não podia fazer algo, eu fazia do mesmo jeito. E eu fiz o que queria fazer na época, então agora eu cortei para provar que eu estava certo (risos).

89: Durante a pausa do Disturbed, você foi o técnico de futebol americano do time do seu filho. Gostou mais de ser guitarrista ou técnico de futebol americano?
Dan Donegan: A música está no meu sangue, não posso viver sem ela, e sou muito sortudo por poder trabalhar com o que amo. Eu treinei o time de futebol americano dos meus filhos aqui nos Estados Unidos e foi incrível, foi diferente para mim, consegui fazer algo diferente por ele. Agora minha vida é minha família e a música, não pode ser só eu e minha música, tem que ser meus filhos e isso me deixa muito feliz. Meu filho só tem 9 anos e minha filha tem 12. Para mim estar lá, poder ajudar, ensina-los e vê-los crescer é completamente diferente.

89: Deixa um recado para os seus fãs brasileiros.
Dan Donegan: Nós estamos ansiosos para vê-los, só estivemos no Brasil uma vez e eles deixaram uma ótima impressão na gente. Nós ficamos falando com nosso empresário para irmos ao Brasil mais vezes. Sabemos que a gente tem fãs maravilhosos e queremos voltar e fazer um ótimo show. Acho que isso será importante para gente sempre voltar, sabemos que eles nos querem por perto e nós também queremos ir. Então faremos o possível para fazer a América do Sul parte das nossas turnês.

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Redação 89

89 fala com Dnaipes

A 89 bateu um papo com os caras do Dnaipes, nesta última sexta-feira (12).

A banda divulgou o show que aconteceu neste sábado (13) no Superloft,  os músicos revelaram a história e formação do grupo que começou na época de colégio.

Ainda falaram sobre a importância do Rock nacional no Brasil, as influências musicais que o Dnaipes se inspira e  também as dificuldades que a banda enfrentou no início da carreira.

Acesse ao player abaixo e curta a entrevista completa:

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Redação 89

Pixies tocará no Brasil em 2017, diz baterista da banda

A 89 bateu um papo com David Lovering, baterista da banda Pixies.

David falou sobre a gravação do álbum “Head Carrier”, disse que foi fantástico, porque essa foi a primeira vez que os caras puderam se preparar de verdade na pré-produção, tiveram sete semanas para compor.

O baterista  ainda revelou qual é a sua música favorita do álbum, o significado do nome do disco e os  detalhes sobre a  entrada da nova baixista Paz Lenchantin.

Sobre shows e turnês,  David  disse que depois da excursão pela Europa, irão fazer uma pausa, que será lá para dezembro e depois planejam América do Sul.

O músico também falou que gostaria de fazer uma turnê só com as  músicas do álbum Surfer Rosa, que está perto de seus 30 anos.

Acesse o player abaixo e curta a entrevista:

Veja abaixo a transcrição completa da entrevista:

89: Como foi o processo de criação e gravação do Head Carrier, o novo álbum do Pixies?
David Lovering: Foi fantástico porque essa foi a primeira vez que pudemos nos preparar de verdade na pré-produção: tivemos sete semanas para compor e ensaiar. Comparado a Indie Cindy ou outro álbum mais antigo, foi uma alegria poder trabalhar nas músicas antes de ir para o estúdio, poder chegar confiante lá e só tocar.

89: Quais as diferenças, musicalmente falando, de Head Carrier e os outros álbuns do Pixies?
David Lovering: É difícil dizer, todos os álbuns são diferentes entre si. Se comparado à Indie Cindy, este é um pouco mais rock, o que lembra um pouco o Pixies antigo com elementos punks.

89: Porquê o nome Head Carrier?

David Lovering: Há uma música no álbum chamada “Head Carrier”, que significa “cephalophore”, um termo grego para algo religioso, um santo que carrega a própria cabeça. A ideia inicial era que o nome do álbum fosse “Cephalophore”, mas achamos que as pessoas não iam entender o significado.

89: Você tem alguma música favorita neste álbum?
David Lovering: A minha favorita é “All I Think About Now”, o que é engraçado porque ela não foi planejada para entrar no álbum, foi nos últimos dois dias de gravação quando Paz Lenchantin, nossa baixista, teve a ideia para música e todos nós gostamos, ela disse para nós tocarmos e ela faria a letra. É a música mais “Pixies”: a guitarra de Joey, que é suave e depois forte, lembra muito o começo dos pixies.

89: Você ainda mantém contao com a Kim Deal?
David Lovering: Quando ela nos deixou foi um choque, desejamos boa sorte porque não tinha chance de convencermos ela, era o que ela queria fazer. Não temos nos falado muito, sei que está produzindo um álbum novo do The Breeders, e desejamos tudo de bom para ela.

89: E como está sendo trabalhar com a Paz Lenchantin?

David Lovering: Ela têm sido uma alegria, uma pessoa maravilhosa e uma baixista incrível, o público adora ela, somos muito sortudos. E em três anos, com tantos homens na banda, nós temos nos dado muito bem. Ela toca baixo tão bem que eu mesmo preciso tocar bateria melhor para não ficar constrangido (risos).

89: E o que pode nos contar sobre a atual e nova turnê?
David Lovering: Os shows são sempre diferentes. Nossa próxima turnê começa em setembro. Tocaremos pela Europa e terá mais músicas do Head Carrier. Algumas semanas atrás tocamos quatro músicas deste álbum em um festival, mas também tocaremos os clássicos. Isso muda toda noite, fazemos um set diferente sempre. São noventa minutos sem parar, sem falar com o público, apenas entregando música. Será o mesmo show do Pixies que todos já viram.

89: Vocês pretendem vir para a América do Sul, especialmente o
Brasil?

David Lovering: Depois que fizermos turnê pela Europa, faremos uma pausa, que será lá para dezembro e depois planejamos América do Sul, Austrália, Nova Zelândia, América do Norte…tudo em 2017.

89: O quê você lembra do Brasil?

David Lovering: Lembro especialmente da comida! (risos) Uma vez também fomos ao estádio de futebol e foi uma alegria. Mas sempre lembro da comida e dos fãs. A América do Sul é um de nossos lugares preferidos, somos muito sortudos.

89: Vocês pretendem fazer algo especial para os 30 anos do Pixies que ocorre em 2016?
David Lovering: Fiquei chocado quando vi que fazem 30 anos. Não temos nada planejado, mas o que eu gostaria é de fazer uma turnê só com as músicas do álbum Surfer Rosa, que se eu não me engano está perto de seus 30 anos também. Portanto eu vou insistir para isso, mas não posso falar que temos algo planejado ainda.

89: Você considera o Pixies uma das melhores bandas de rock da história?

David Lovering: Nós somos muito sortudos, são 30 anos de banda e ainda estamos fazendo shows e as pessoas querem ver a gente. Eu acho que somos bons o suficiente para as pessoas quererem ver a gente. Eu não diria que somos os melhores, mas bons a ponto de quererem ir ao nosso show.

89: E sobre as bandas novas, tem alguma que você gosta?

David Lovering: Eu não consigo dizer o nome específico de uma, mas ouvi Royal Blood há uns dois meses, acho difícil lembrar o nome de outras bandas.

89: O Head Carrier vai ser lançado em um vinil rosa para ajudar pacientes de câncer. O que você acha disso?

David Lovering: Essa é uma coisa diferente que estamos fazendo, o vinil rosa e o vinil normal também será lançado. É algo diferente e será maravilhoso fazer isso.

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Willian Maier

Vanguart visita a 89

Os caras do Vanguart visitaram os estúdios da 89 na última sexta-feira, dia 29 de julho, e falaram da importância do mais recente trabalho “Muito mais que o Amor”, que rendeu recentemente um DVD.

As inspirações para compor, a amizade entre os integrantes do grupo e um pouco da trajetória desse grupo de Cuiabá foram destacadas nesta entrevista conduzida pelo apresentador Armando Saulo.

Além disso, o Vanguart ainda mandou um som ao vivo para o ouvinte 89.

Utilize o player abaixo e curta esse bater papo:

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