Thais Yamamoto

Entrevista: John Fred Young, do Black Stone Cherry

Hollywood traz adoráveis surpresas. Algumas semanas atrás vi que o Black Stone Cherry iria se apresentar no legendário Whisky A Go Go, palco onde artistas como The Doors, Van Halen, Guns N Roses e muito outros começaram. A primeira vez que o Black Stone Cherry tocou no Brasil foi em setembro do ano passado e também foi a primeira vez que eu entrevistei a banda.

Na ultima sexta-feira dia 02 de junho encontrei com John Fred, baterista da banda e batemos um papo super divertido no Rainbow (outro legendário bar que também foi berço de muitas bandas, mas isso é historia para outra matéria).

Ano passado foi a primeira vez do Black Stone Cherry no Brasil. O que você se lembra sobre o Maximus Festival e São Paulo?

Vou te contar, essa foi a nossa primeira vez da vida na América do Sul. Nós voamos para São Paulo e eu me lembro que eu estava tão pronto para essa experiência, para a cultura da América do Sul e para os fãs. Todos que já estiveram lá me falavam ‘você não percebe o que está fazendo tocar lá, porque a paixão dos fãs é surpreendente’. Para nós, foi um pouco estranho porque o Ben (Wells), nosso guitarrista não conseguiu ir por problemas pessoais, ele ficou muito mal com a situação, mas não pode viajar. Joe (Storm) nosso grande amigo do Halestorm substituiu ele. Então essa foi a primeira vez que fomos para a América do Sul e sem nosso guitarrista. Mas foi ótimo porque Joe fez um ótimo trabalho. Mas temos que voltar com a banda toda.  Lembro também da comida!  As vezes quando tocamos em festivais o catering não é tão bom, mas eu me lembro de ter sentado por duas horas no catering no Maximus e comido muito, porque a comida era maravilhosa! Tudo foi demais… eu fiquei muito surpreso com a quantidade de pessoas cantando as nossas músicas. É incrível como a música viaja. Lembro que nosso set era de 50 ou 45 minutos, não me lembro direito, apensar do tempo ser curto foi o suficiente.

Você acabou de falar sobre o tempo de palco que tiveram no festival. Normalmente quando fazem shows em festivais o tempo é curto e algumas músicas são entram para o setlist. Qual é a maior diferença entre tocar em um grande festival e em um show solo num lugar menor? O que você prefere?

Essa é uma pergunta muito boa e difícil de responder. Em 2007 começamos a tocar na Inglaterra e foi incrível! Foi muito importante fazer isso, porque nos Estados Unidos é muito difícil fazer Black Stone Cherry tocar no rádio. Muitas pessoas na industria gostam da nossa música, mas muitas rádios não tocam nossa música talvez por termos um estilo meio Southern, e eu conheço outras bandas assim como Blackberry Smoke e The Cadillac Three. Eles também tem esse problema. Recentemente ouvimos uma entrevista com o Iron Maiden e eles falaram que no começo deles era assim também, mas que o que importava eram os shows ao vivo. Black Stone Cherry é uma banda ao vivo, por isso que as pessoas vão aos shows ver a gente. Agora sobre a pergunta do que eu prefiro, para falar a verdade não importa, porque vamos fazer o melhor show que podemos. É claro que tocar em grandes arenas e em festivais é uma bênção pela quantidade de pessoas, mas shows pequenos são muito mais intimistas. Nós tentamos pegar essa intimidade que temos nos shows pequenos e levar para os festivais. Não importa aonde estamos tocando, sempre vamos dar o melhor de nós.

Alguns meses atrás vocês lançaram o clipe de “Cheaper to Drink Alone”. O quão divertido foi gravar isso?

Surreal! Foi o vídeo mais divertido que já gravamos! O nosso senso de humor do dia a dia está naquele vídeo. Queríamos fazer um vídeo desses há muito tempo. A pessoas sempre falam ‘vocês têm que fazer um vídeo de rock serio’. Quando estávamos na Roadrunner Records (gravadora), ficamos lá por quase uma década e eles sempre falaram que os vídeos tinham que ser sérios e nós somos! Somos uma banda de rock do sul metal stoner country fora-da-lei… mas não queremos ser sérios o tempo todo! (risos). Desde que saímos dessa gravadora temos mais controle sobre as coisas que fazemos. Estávamos numa conferencia pelo telefone conversando sobre o vídeo e pensamos que se fizéssemos algo serio com atores e tudo mais… todo mundo faz isso, sabe? Por isso que temos que fazer algo bobo e engraçado para as pessoas rirem e ficou ótimo! Eu estou uma mulher maravilhosa no vídeo! (Risos). Gravamos num bar super pequeno perto de casa chamado Spillway, e eles sempre quiseram que tocássemos lá. Como precisávamos de uma locação para o vídeo decidimos gravar lá! Depois da gravação ainda fizemos um pequeno show, não cobramos ingresso e tocamos umas 6, 7 músicas.

Quando você começou a tocar bateria e quando você percebeu que essa era a carreira que queria seguir?

Meu tio Fred, ele toca bateria na banda The Kentucky Headhunters e ele me deu um kit de bateria quando eu tinha 4 anos. Mas quando eu comecei mesmo a tocar eu tinha 13 anos. Porque Chris (Robertson – vocalista da banda) e eu estudamos juntos na pré-escola e quando tínhamos uns 13 anos ele sugeriu que a gente montasse uma banda. Jon (Lawhon), nosso baixista, ele era esse cara bronzeado da Florida e a gente não gostava e nem falávamos com ele, porque todas as meninas da escola gostavam dele, mas foi engraçado porque o dia em que descobrimos que ele tocava guitarra parecíamos abelha atrás de mel, fomos falar com ele ‘E ai cara, como vai’. Jon tocava guitarra, mas o que nós não tínhamos era um baixista. Então o Chris sugeriu que ele trocasse a guitarra pelo baixo. Ele aceitou trocar e hoje é um dos melhores baixistas do mundo. É engraçado porque tocamos blues por pelo menos um ano e meio, e eramos só nós três. Um dia fomos a essa festa num lugar isolado, não tinha aquecedor, não tinha encanamento, ficamos lá e tocamos no inverno, quase morremos. Foi muito legal porque os posters que tinham na parede eram do Cream, Zeppelin, e o conhecemos esse guitarrista (Ben Wells) muito bom lá e o convidamos para tocar com a gente no dia seguinte. Isso foi no dia 4 de junho de 2001 e começamos a banda. Foi no aniversario de 16 anos do Chris.

Você falou que vão entrar em estúdio em setembro/outubro…

Sim sim! Vamos tentar começar a gravar o novo álbum em setembro e deve sair provavelmente no primeiro dia do ano que vem.

Black Stone Cherry tem planos de tocar na América do Sul de novo?

Por enquanto não. Mas te digo que vamos estar lá antes do que você pensa. Fizemos muitas turnês distantes nos últimos anos, como Austrália, América do Sul, tem sido muito bom. Sempre tentamos voltar, porque sabe, não gostamos de ir para um lugar e não voltar! Eu conheci muitas pessoas legais na América do Sul, fomos para São Paulo, Argentina… e me surpreendeu muito. Tudo o que as pessoas falavam é realmente verdade. Acho que começamos um bom relacionamento com a América do Sul!

Foto: Camila Cara

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