Redação 89

Entrevista: Dean Fertita, do Queens Of The Stone Age

A 89 conversou por telefone com o Dean Fertita, guitarrista do Queens Of The Stone Age, que está preparando com seus colegas de banda o lançamento do novo álbum “Villains”.

Esse trabalho está programado para ser lançado no dia 25 de agosto. O guitarrista falou sobre o processo de produção e composição do disco.

“Villains” é o segundo álbum com essa formação atual do Queens Of The Stone Age, ele contou um pouco como foi trabalhar novamente com a banda, “Sinto que é uma família agora”.

Outro destaque da nossa entrevista é sobre a banda trabalhar com o produtor musical Mark Ronson (já trabalhou com grandes nomes da música como Amy Winehouse, Paul McCartney, Bruno Mars, entre outros). Dean fala que Mark é incrível, a conexão entre eles foi tão completa que é como se tivesse outro integrante na banda.

Utilize o player abaixo e ouça nosso bate papo com Dean Fertita:


Transcrição da entrevista:

89FM: Como foi o processo de gravação e composição do novo álbum Villains?

DEAN FERTITA: Em alguns aspectos foi parecido com o último, o …Like Clockwork, em outros foi o oposto. O tempo foi igual entre compor as músicas e finalizar o disco. A grande diferença é que todos se entregaram bastante. Estávamos todos melhores emocionalmente para este álbum..

89FM: Já é o segundo álbum com essa formação atual do Queens Of The Stone Age. Como foi trabalhar novamente com a banda?

DEAN FERTITA: Sinto que é uma família agora. Esse na verdade é o primeiro álbum completo que fazemos com essa formação, já com o Jon Theodore na bateria. No último ele só participou de uma música, mas fez toda a turnê com a gente. Mas agora que passamos os últimos anos juntos, sinto que estamos bem sólidos. Sinto que “é isso aí”. É uma conexão muito forte entre todos nós e não acho que haverá mudanças por um tempo.

89FM: Qual é a sua opinião sobre o produtor musical Mark Ronson (já trabalhou com grandes nomes da música como Amy Winehouse, Paul McCartney, Bruno Mars, entre outros) e como foi trabalhar com ele?

DEAN FERTITA: Ele foi incrível. O que eu mais gostei de trabalhar com ele foi o fato que nos deixava criar. Ficava assistindo do outro lado do estúdio e toda vez que tinha uma sugestão ou ideia, realmente melhorava o que estávamos fazendo. Ele se encaixou perfeitamente. Foi como se tivéssemos outro integrante da banda com a gente. Ele também é um cara muito engraçado, então foi ótimo estar com ele.

89FM: Como vocês decidiram quais músicas fariam parte do Villains?
DEAN FERTITA: Pensamos de forma coletiva, foi decidido em grupo. Decidimos por colocar músicas que tivessem certa coerência do começo ao fim.

89FM: Qual é a sua música favorita?
DEAN FERTITA: Acho que no momento a minha favorita é a “The Evil Has Landed”.

89FM: Algum motivo particular para escolher essa música?

DEAN FERTITA: Não sei se tem um motivo particular. É um som muito único. Não volta para o mesmo lugar duas vezes. A música vai mudando constantemente. É uma forma divertida de lidar com o processo de composição. Totalmente não convencional.

89FM: Vocês já lançaram a música “The Way You Used To Do”. Por quê escolheram ela para ser o primeiro single?
DEAN FERTITA: Desde o primeiro dia que tocamos essa música, sentimos que seria a primeira para mostrar para o mundo deste trabalho. Então nem questionamos isso. Sabemos que seria ela e confiamos nossos instintos nisso.

89FM: Por quê o nome Villains?

DEAN FERTITA: Eu acho que o Josh Homme e todo mundo precisa de um vilão para lutar. Então generalizando, eu acho que é um termo que todos podem se relacionar e precisar para a vida.

89FM: E quem é o seu vilão?

DEAN FERTITA: No momento, provavelmente é o tempo. Eu sinto que não tenho tempo suficiente para as coisas e fico rezando para ter mais.

89FM: Qual é a melhor e a pior coisa de trabalhar com o Josh Homme?

DEAN FERTITA: Me sinto abençoado de estar com esse cara o tempo todo. Ele tem uma perspectiva única para as coisas. Eu sinto confiança para segui-lo e que vai me levar para um bom lugar. Se eu fico questionando o que eu estou fazendo, ele sempre sabe o que dizer ou fazer a coisa certa para que tire mais de mim como músico. E o lado negativo é que eu sou o único da banda que não mora na Califórnia. Então tenho que ficar muito tempo longe da minha família. Mas todos entendem, então não é um grande problema.

89FM: Na sua opinião, o rock está morto?

DEAN FERTITA: Não está morto na minha vida, então o rock não morreu. Sempre foi importante para mim e ainda me empolgo com isso. Então enquanto for importante para mim e para as pessoas que estão a minha volta, o rock não está morto. Acho que tem muitas pessoas fazendo boas músicas. Isso sempre vai durar. Eu acho que vamos ver um dia que o rock vai voltar a estar em evidência. Eu não odeio do jeito que está. Como disse, tem muitas pessoas fazendo grandes músicas de rock que inspiram. Eu quero manter contato com essas pessoas.

89FM: Alguma chance de virem ao Brasil nesta turnê?

DEAN FERTITA: Eu acho que as pessoas podem contar com isso. Ainda não temos uma data definida. Nossa última turnê nós começamos e também terminamos na América do Sul. É um lugar muito importante para nós. Com certeza vamos passar por aí em algum momento, espero que em breve.

89FM: O que você lembra do Brasil?

DEAN FERTITA: Eu sempre adorei os shows que fizemos na América do Sul. Eu tive a oportunidade de tocar com duas bandas diferentes no Brasil. É um país muito bonito e tem muitos lugares que ainda não vi. Espero que da próxima vez a gente tenha a oportunidade de sair com mais frequência. Quero conhecer o máximo que eu puder. Mal posso esperar para estar no Brasil.

89FM: Como músico, como você se sente em relação ao terrorismo que tem acontecido em alguns shows (os mais recentes em Manchester no show da Ariana Grande em maio e em Paris durante uma apresentação do Eagles Of Death Metal em 2015)?

DEAN FERTITA: É obvio que é horrível. Eu não sei que tipo de fé faz injustiças, mas toda vez que alguma coisa dessa acontece, é muito importante lutar contra isso, não ter medo, viver sua vida, se preocupar com os outros. Temos que continuar fazendo isso. Provavelmente mais coisas assim vão acontecer nos próximos anos. Mas sempre tento olhar o lado bom desses cenários ruins para ter confiança que as pessoas vão ser mais próximas. Na última década vi pessoas afastadas de diversas formas. Coisas assim podem aproximar as pessoas e espero que isso aconteça. Espero que seja um fator positivo que pode acontecer desses atentados horríveis que vem ocorrendo.

89FM: O quanto você acha que o seu estilo de tocar acrescentou ou mudou no som do Queens Of The Stone Age desde quando entrou para a banda?
DEAN FERTITA: Eu sempre vejo as coisas num sentido mais amplo. Não penso se o que eu vou fazer vai mudar alguma coisa, mas sim na combinação do que podemos fazer para um ajudar ao outro. Toda vez que alguém novo toca com a gente, a dinâmica muda um pouco. E acho que temos uma conexão muito boa como banda. Cada um tem uma vibração própria e isso acontece por causa da outra pessoa e assim nos conectamos. É assim que eu espero que as coisas aconteçam. Minhas contribuições, sejam elas quais forem, inspira alguém de alguma forma.

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